Obsessão conta a história de um jovem romântico, mas inseguro que decide pedir o coração de sua crush para um brinquedo mágico que concede seu desejo inesperadamente. As coisas, porém, saem do controle.
Um jovem faz um pedido para um brinquedo misterioso e acaba magicamente conquistando o coração de sua melhor amiga e crush de longa data. Logo, porém, esse romântico incorrigível descobre — da pior forma possível — que devemos tomar cuidado com o que desejamos, já que o preço que pagamos pode ser ainda maior, mais sombrio e sinistro. Essa é a premissa do novo fenômeno do terror, Obsessão, longa independente dirigido e roteirizado pelo mais novo queridinho do gênero, o cineasta de 26 anos Curry Barker.
Não apenas Obsessão tem conquistado cada vez mais público pelo clássico boca a boca, mas justamente por isso tem instigado debates calorosos sobre os eventos da trama e, principalmente, as motivações do protagonista Bear, interpretado por Michael Johnston. Se ele é o vilão ou mais uma vítima das circunstâncias, numa entrevista pra o The Hollywood Reporter, o ator Michael Johnston declarou sua opinião sobre as escolhas de seu personagem e os temas de co-dependência e consentimento que circundam o filme.
Bear é o verdadeiro vilão de Obsessão?
Focus Features
Na trama, Bear recorre a um brinquedo para fazer com que sua paixão Nikki se apaixone por ele por estar com medo de confessar seus sentimentos para ela. Quando seu desejo se torna realidade, porém, o jovem se entrega à fantasia e ignora os constantes alertas e as diversas mudanças perturbadoras no comportamento de Nikki. À medida, porém, que Bear se vê consciente do estado da parceira e amiga, sabendo que ela já não é a mesma e, mesmo assim, decide permanecer na relação, discussões importantes sobre a natureza tóxica do relacionamento passam a aparecer.
“Essa é a questão, não é?“, abriu o jogo Johnston sobre o por quê Bear estava com tanto medo de contar a verdade sobre o que sentia. “Às vezes, eu precisava me fazer essa pergunta, porque eu entendo. Às vezes é difícil dizer a alguém o que realmente sente. Há o medo da rejeição. Mas o Bear, neste filme, é apenas um exemplo do que não se deve fazer de jeito nenhum. O extremo oposto desse espectro. Acho que isso faz parte de quem ele é. Ele é apenas alguém que talvez não tenha autoconfiança. Ele tem tanto medo da rejeição que a ideia de uma possível rejeição é mais dolorosa. E, por isso, é muito difícil. Ele não conseguia lidar com isso. Pobre rapaz, que Deus o abençoe“, completou rindo.
Universal Pictures
Sobre a grande questão sobre se o personagem é o verdadeiro vilão da história, o astro é enfático: “Nunca considerei o Bear um vilão, o que realmente me atraiu nessa história foi toda essa ambiguidade moral. Adoro o fato de não ser preto no branco. Adoro que a história não diz como você deve se sentir. Fica realmente aberto à interpretação, porque a verdade é que Bear tem o bem e o mal dentro dele, como todos nós. Eu realmente acho que ele se inclina mais para o lado ruim em muitos aspectos. Mas era muito importante fazer com que o público continuasse torcendo por ele de alguma forma.”
Apesar de compreender os motivos de Bear, Johnston também entende que as razões são egoístas e transformam ele numa espécie de antagonista ao longo do filme. “Quando o interpretei, tive que me concentrar totalmente no que ele mais queria e tentar não julgar nenhuma de suas decisões. Mas diria que ele definitivamente começa como protagonista, e concordo que dá para vê-lo se tornando um pouco antagonista. Adoro isso.”, sustenta.
“Mas um antagonista completo? Acho que não diria totalmente, porque o ponto principal é que ele não sabia que o desejo iria se realizar. Claro, seus desejos eram incrivelmente egoístas. Totalmente, 100%, mas ele não sabia que o desejo iria se realizar. E então ele se enterrou em um buraco tão fundo que não via nenhuma chance de sair, então continuou se enterrando cada vez mais fundo.“, disse.
Obsessão está em cartaz nos cinemas brasileiros.


