O canadense The Weeknd nutre uma paixão por São Paulo. No palco erguido no estádio Morumbis, disse que a cidade era importante para o seu álbum mais recente, o “Hurry Up Tomorrow“, lançado no ano passado, que serve de base para a turnê apresentada na cidade nesta quinta-feira (30).
É tão verdade que São Paulo virou título de uma das músicas do disco, um funk em inglês e português cantado por The Weeknd com a brasileira Anitta, que abriu o show do colega e depois voltou para apresentar a parceria com ele.
Os dois cantaram “São Paulo” em meio a muitas rajadas de fogo, atiradas do chão. Depois, apresentaram um trecho do videoclipe de “Rio”, sua vindoura parceria, ainda indisponível nas plataformas. É também um misto de funk e música eletrônica repleta de palavrões em português repetidos por Anitta. Ao longo do show, The Weeknd se declarou à capital paulistana várias vezes.
The Weeknd começou o show com “Baptized in Fear”, do álbum mais recente, que fecha a trilogia iniciada com o popular “After Hours”, de 2020, e que seguiu dois anos depois no “Dawn FM”. Em seguida, ele cantou “Open Hearts” e “Starboy”, um dos seus maiores sucessos, vestindo uma máscara preta.
Quando arrancou o acessório, sorriu para o público, mandou beijos e deu mordidas nos lábios. The Weeknd é um cara sedutor, de aura misteriosa, que sempre cantou sobre temas como paixão e tesão.
É a tônica, por exemplo, de “Take My Breath”, de 2022, e de “Often”, uma das suas faixas mais populares, parte do álbum que ajudou ele a se tornar um dos artistas mais elogiados do pop atual, “Beauty Behind the Madness”, há 11 anos. Na canção, ele fala sem pudores sobre a vontade de fazer sexo com uma mulher frequentemente.
Deste álbum, ele canta também “Can’t Feel My Face”, seu primeiro hit, que acumula 2,1 bilhões de plays no Spotify. A plataforma, aliás, recentemente revelou que The Weeknd é o quarto artista mais ouvido da história no seu catálogo, e dono da música mais tocada de todos os tempos —”Blinding Lights”, com mais de 5 bilhões de reproduções.
A performance desta foi uma das mais celebradas pelo público, ainda que uma chuva tenha começado a cair junto dela, bem ao final do show. “Blinding Lights” saiu em meio à pandemia de Covid, e, dançante como é, encontrou apelo em gente que estava com saudade de sair de casa e curtir um grande baile.
The Weeknd se tornou um artista de números enormes, o que ajuda a explicar como ele consegue lotar tantos shows no Brasil —são três agora, um há dois anos, outros dois em 2023. De lá para cá, ele só lançou um álbum, então a setlist pouco mudou.
A estrutura também segue parecida. Ele trouxe de volta sua estátua dourada, que fica espetada no meio do palco, e que se tornou o aparato mais icônico da turnê “After Hours Til Dawn”. O palco também retorna semelhante, e ainda inclui uma longa passarela pela qual o músico desfila ao longo de todo o show, tentando se aproximar da maior parte dos fãs. Por isso, não há distinção entre pista e pista premium, comum nesse tipo de apresentação.
O show é frenético. The Weeknd praticamente não interrompe a apresentação, emendando uma música na outra —versões curtas delas—, vez ou outra parando para respirar, beber água. Não há as trocas de look que viraram regra em show de divas pop, por exemplo —o cantor permanece toda a apresentação vestido com calça e colete pretos.
Antes dele, Anitta aproveitou o palco do colega para divulgar seu novo trabalho. A brasileira, que fez os shows de abertura da turnê do colega no México e no Rio de Janeiro, surgiu cantando “Meia Noite” e “Desgraça”, ambas faixas do “Equilibrivm“, álbum que lançou há duas semanas.
O disco novo da cantora mistura vários ritmos populares na música nacional e no seu próprio repertório —funk, samba, rap— à estética e elementos da umbanda, religião de matriz africana que ela homenageia nas letras das canções. Por isso, Anitta pôs um adorno de perna feito de palha por cima da calça de renda justa nas pernas.
“Esse é o baile funk do The Weeknd”, Anitta gritou a certa altura do show, que começou por volta de 19h45 e durou 40 minutos. Após fazer a divulgação do seu lançamento, ela emendou seus grandes sucessos, quase todos de funk, como “Onda Diferente”, “Bola Rebola” e “Rave de Favela”. A cantora fazia coreografias simples, com muito rebolado e balanço de quadris, ladeada de dançarinos.
Em “Lose Ya Breath”, do seu álbum de funk em inglês, “Funk Generation“, Anitta pediu que o público abrisse espaço no meio da plateia para fazer rodinhas de bate cabeça. Os fãs obedeceram. Deste álbum, ela cantou também “Savage Funk”, que fez o público berrar palavrões por todo o campo do Morumbis.
