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The Boroughs | Crítica da série da Netflix


Um dos grandes trunfos de Stranger Things foi conseguir extrair da salada de referências e nostalgia que os Irmãos Duffer criaram, uma sensação de novidade e encantamento vindo do elenco infantil perfeitamente escolhido. Ainda que inexperientes, as crianças traziam a fascinação por coisas oitentistas que fez a audiência mais velha se ver na pele de Will e Cia, ao mesmo tempo que criou identificação com os mais jovens que abraçaram aquela turma crescendo ao longo de cinco temporadas. O fato é que essa combinação, de jornada clássica da juventude com o toque aventuresco do cinema hollywoodiano, funcionou muito pela capacidade do elenco, misturado entre novatos e veteranos, superar o que soaria repetitivo no roteiro. 

The Boroughs, a nova empreitada dos Duffer na Netflix, não constrói uma proposta muito diferente. Saem os jovens entram aposentados e ao invés do Mundo Invertido, temos alguma criatura obscura que vive no The Boroughs, uma vila que acomoda pessoas mais velhas que ou foram deixadas lá pela família ou optaram mudar pra lá após infortúnios da vida. O núcleo principal tem estereótipos reconhecíveis de cara; um nerd, a jornalista, a musa, o hippie, o cético. Eles são capitaneados por Sam, o viúvo interpretado por Alfred Molina, que chega ao local a contragosto e aos poucos se envolve no mistério que está nas paredes da comunidade.

Se há algo para se salvar integralmente da série é o elenco, que em pequenos momentos consegue dar o carisma pretendido pelo roteiro. Molina é mau humorado na medida certa e consegue transformar Sam em algo minimamente relacionável, ainda que o roteiro não dê espaço ou material suficiente para encontrar profundidade na história. Todos os outros, em suas próprias dimensões, trazem algum momento de divertimento e carisma, mas nunca superam a incapacidade do roteiro em tornar qualquer movimento da trama em algo interessante – até porque não existe uma força da série em esconder seus mistérios ou motivações dos antagonistas.

O argumento de The Boroughs, que conecta ficção científica com pertencimento, família e juventude, funciona perfeitamente em uma sinopse ou mesmo na venda da história em si. A revelação, que acontece no meio dos oito episódios, não tem impacto algum, pois não há uma mísera ameaça aos personagens ou a quem está em volta deles. Dito isso, o tema explorado pelo roteiro – luto, esquecimento – não passa da intenção, pois a execução em si não consegue trazer significado real a nada que é dito ou mostrado, já que tanto o espectador quanto os personagens não conseguem se levar minimamente a sério o que está acontecendo na tela.





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