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Rod Stewart e Cindy Lauper eletrizam plateia tímida no Rock in Rio Lisboa


Não foram só as garotas que se divertiram no sábado do segundo fim de semana do Rock in Rio Lisboa. Isso porque Cindy Lauper, voz de “Girls Just Wanna Have Fun”, dividiu com Rod Stewart uma noite que eletrizou todo mundo.

O britânico, 81, um dos nomes que inaugurou o Rock in Rio original, subiu ao palco Mundo horas após a americana, 73, reunir músicas nostálgicas como “The Goonies ‘R’ Good Enough”, do filme de 1985, abordar o tesão de modo descontraído como em “She Bop”, sobre a masturbação feminina, e falar, entre canções como “Time After Time” e “True Colors”, sobre o direito das mulheres e pessoas LGBTQIA+ à felicidade.

Se o show de Lauper foi marcado por sintetizadores e o pop-rock irreverente, culminando numa homenagem à artista plástica Yayoi Kusama, conhecida pela obsessão por bolas vermelhas, a banda de Stewart foi do saxofone à harpa, em baladas românticas, e impulsionou sucessos como “Young Turks” e “Da Ya Think I’m Sexy?”, que narram sonhos e desejos escondidos, com seus arranjos de guitarras.

O ativismo também fez parte do show do britânico, já que o expoente da contracultura xingou o presidente russo Vladimir Putin antes de cantar “Rhythm of My Heart”, cuja letra traça um paralelo entre o amor e a ideia de lar.

Apesar da condenação direta aos conflitos na Ucrânia, a guerra em Gaza se resumiu ao telão, quando “Love Train” encerrou os shows do dia e o palco foi tomado por imagens de manchetes sobre mortes em Israel e declarações de Donald Trump sobre o desejo de anexar a Groenlândia. A música diz respeito ao amor coletivo.

O amor, aliás, fez do palco Super Bock seu lar, onde mais cedo se apresentaram Belo, que reúne tradições e inovações do pagode romântico, e a britânica Joss Stone, cujo tom meloso, entre o pop e o soul, deu lugar a um pedido de casamento entre dois brasileiros.

No show do pagodeiro que estrelou a novela “Três Graças”, também se sobressaíram vozes brasileiras. A reportagem questionou portugueses sobre a popularidade de Belo no país, e, enquanto alguns afirmaram que já o conheciam, outros disseram crer que boa parte dos portugueses presentes o ouviam pela primeira vez.

Apesar das multidões portuguesas espalhadas pelo Parque Papa Francisco, antigo Parque Tejo, que comporta cerca de 80 mil pessoas —diferentemente do primeiro fim de semana, que teve Katy Perry e Linkin Park como headliners, os ingressos para o segundo não esgotaram—, não era incomum ver bandeiras brasileiras. Seus donos, inclusive, estavam entre os poucos que gritavam os nomes dos artistas.

Isso porque o tímido público português só se soltou durante as canções mais conhecidas das lendas do pop rock. Não à toa, outros nomes testemunharam silêncios constrangedores ao virar o microfone para a plateia —à tarde, Shaggy interrompeu seu reggae várias vezes, decepcionado com o desânimo de centenas—, e Linda Perry, vocalista do 4 Non Blondes, chegou até a se confundir e agradecer o convite ao Brasil.

A banda de rock alternativo, dona da canção chiclete “What’s Up”, passou décadas sem se apresentar e abriu a programação do palco Mundo, o mais concorrido de um dia de verão e em que o sol só se foi por volta das 20h.

Durante o dia, as pequenas sombras dos estandes não protegiam o público do calor e pequenas filas se formavam nas estações de bebedouros. Já outros, por volta das 18h30, se refugiaram no show de Bento Gil, que reuniu canções de “Silêncio Azul”, seu primeiro álbum solo, clássicos de vozes como Dorival Caymmi e mesmo canções em inglês, que dividiu com a prima Flor Gil.

A apresentação no palco BacanaPlay sucedeu a da brasileira Melly e foi uma das menos disputadas. Embora o público tenha aumentado durante o show, muitos aproveitaram vãos do gramado para deitar e descansar. A reportagem conversou com portugueses que disseram ter sido atraídos pela MPB suave de Bento, mas havia ali, também, quem já o conhecesse pelas colaborações com o avô, Gilberto Gil.

Apesar da multidão que se formou para ver Lauper e Stewart, os desníveis do Parque Tejo, que dificultam a locomoção, auxiliaram a visão dos que estavam longe do palco, suficientemente acima dos que arriscaram um lugar mais à frente, pouco atrás da grade das apresentações.

Mesmo com a facilidade de ver boa parte dos palcos, o Super Rock se sai prejudicado, já que é o mais afetado pelo sol e os atrasados precisam se esforçar para ter vislumbres dos shows.

No mais, as duas lendas do pop rock coroaram uma data que misturou vários gostos, incluiu ainda bandas portuguesas como Xutos e Pontapés e GNR, e pensou até mesmo nos aficionados por futebol, que puderam ver o jogo entre Portugal e Colômbia nos telões.

Embaixo dos passageiros da tirolesa e da roda-gigante, que funcionaram até o cair da noite, prevaleceu a máxima de Lauper de que todos devem se divertir, inclusive os mais tímidos.

O jornalista viajou a convite do Rock in Rio e da TAP



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