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Reunidas, russas do t.A.T.u. vêm ao Brasil em maio e frisam: ‘Não somos mais meninas’


Poucos fenômenos da virada do milênio foram tão verdadeiramente únicos quanto a dupla t.A.T.u., formada por duas adolescentes russas que cantavam em inglês, apostavam em modelitos colegiais e choravam pitangas sobre o amor entre mulheres. All The Things She Said, hit ubíquo desde então, transformou as garotas Lena Katina e Julia Volkova em celebridades internacionais, amadas por milhares de fãs que as viam como um casal transgressivo e apaixonado — mas não era bem assim. Mais de 20 anos depois, ambas têm 41 anos, são heterossexuais declaradas e decidiram voltar à banda, ansiosas para demonstrar a transparência e o controle criativo de hoje. No dia 16 de maio, apresentam show em São Paulo, na casa Komplexo Tempo, e enfim cantam lado a lado perante o público brasileiro, o qual contemplaram apenas em apresentações solo, durante os anos de separação.

Conturbada, a história das garotas começa em 1999, quando Lena e Julia foram selecionadas entre 400 garotas para integrar um duo pop elaborado pelo produtor e publicitário Ivan Shapovalov. Foi ele, junto aos quatro compositores originais de All The Things She Said, quem as fez apelar para a estética do lesbianismo, presente não só nas letras, mas nos clipes e apresentações da banda até 2003. Após a saída do armário reversa, ambas permaneceram em atividade até 2011.

Em meio ao oportunismo mercadológico, surgiu um símbolo de aceitação e diversidade sexual abraçado pela juventude da década. Até hoje, boa parte do público de Lena e Julia integra a comunidade LGBT+ — como se vê no uso recente do maior hit de ambas na série de sucesso Rivalidade Ardente, caracterizada pelo erotismo gay despudorado. Ainda assim, nenhuma delas pode se pronunciar sobre o assunto: uma lei russa de 2013 as proíbe de emitir “propaganda gay” — e, por isso, o tema está barrado de quaisquer entrevistas ou aparições públicas da dupla. Ao cantar suas músicas sobre mulheres em russo, limam os pronomes femininos. Volkova, em especial, passou por uma breve guinada homofóbica e disse em 2014 que não gostaria de ter um filho gay. Mais tarde, voltou atrás publicamente.

Depois de tantas provações e contradições, ambas se reuniram em 2025 e dizem estar mais maduras — prontas para agitar o público que as queria ver de volta. Em entrevista a VEJA, elas comentam as expectativas para o show e o futuro da banda:

O que as impediu de vir ao Brasil antes?

Lena: Essa é uma ótima pergunta, porque já estivemos no México, éramos contratadas pela Interscope Music e viajávamos bastante. Fizemos muitos shows pelo mundo todo, mas por algum motivo nunca aconteceu no Brasil. Mesmo assim, sei que existe um público enorme aqui, e eu mesma já estive em São Paulo como artista solo. O público de lá é simplesmente incrível. Os países da América Latina provavelmente têm o público mais grato do mundo. É uma paixão que vem da própria cultura local. Estou animada para ver nossos fãs pessoalmente, porque eles são muito ativos nas redes sociais,

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Julia: Eu fui ao Brasil sozinha há 12 ou 13 anos, também em carreira solo. Esses são os nossos melhores fãs.

O t.A.T.u voltou oficialmente em 2025. O que as fez decidir que era hora de reatar a parceria?

Lena: Acho que simplesmente crescemos e superamos alguns desentendimentos e mágoas. Tivemos uma briga feia, como na nossa música, You and I, mas, com o tempo, as pessoas amadurecem. Não somos mais meninas. Além disso, nossos fãs do mundo inteiro sempre perguntavam sobre novas apresentações da banda. Decidimos, então, que talvez devêssemos trabalhar juntas mais uma vez, e estamos conseguindo até agora.

O que mudou nesse meio-tempo?

Lena: Diria que, com a idade, ficamos mais calmas e sábias. Acredito que as pessoas amadurecem. Hoje, carregamos uma bagagem que vem da nossa história como dupla, como artistas solo, como mães, como esposas e como pessoas. Não mais tomamos decisões impulsivas e emocionais. 

Hoje em dia, o controle criativo é também maior?

Lena: Com certeza. Eu e a Julia tomamos todas as decisões agora: o que está acontecendo, como o show deve ser, quais músicas tocar…

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Julia: Na verdade, fazemos tudo agora. Eu e a Lena cuidamos da gestão da banda.

A reunião vem em bom momento, considerando que o hit All the Things She Said voltou a ficar em alta recentemente, com a repercussão da série Rivalidade Ardente. Como é acompanhar essa longevidade da música?

Lena: Temos músicas tão boas que vão viver para sempre, tenho certeza disso. E claro, é muito bom ver que, no mundo todo, ainda somos a única banda russa com músicas famosas e com canções que aparecem em filmes estrangeiros.

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Planejam também voltar ao estúdio e lançar mais faixas inéditas?

Lena: Na verdade, estamos procurando a música certa, aquela que a gente goste e queira cantar e lançar. Novamente, o material que temos é tão bom, que não podemos fazer algo que não seja excelente. Estamos na caça.

Hoje, a sensibilidade artística da dupla mudou de alguma forma?

Lena: O t.A.T.u. tem um estilo próprio, e não sei se devemos mudar isso. Só queremos talvez deixá-lo um pouco mais atual, mais adulto.

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