Rei e Conquistador chega ao Brasil pelo Universal+ nesta terça-feira, 2 de junho, trazendo um dos episódios mais decisivos da história europeia para o streaming. A série acompanha a disputa pela coroa da Inglaterra entre Harold Godwinson (James Norton) e Guilherme, Duque da Normandia (Nikolaj Coster-Waldau), num confronto que culminou na lendária Batalha de Hastings, ocorrida em 14 de outubro de 1066. Mas antes de colocar em pauta quem tem razão e quem tem ambição demais, vale entender o que estava em jogo naquela disputa que mudou um continente.
O rei sem herdeiro que colocou a Europa em colapso
Tudo começa com Eduardo, o Confessor, rei da Inglaterra que chegou ao fim de sua vida sem deixar um filho para ocupar o trono. A morte dele, em janeiro de 1066, abriu um vácuo de poder que pelo menos três homens disputaram com unhas e dentes. O mais poderoso deles, Harold Godwinson, era cunhado de Eduardo e líder da família nobre mais influente da Inglaterra. Ele foi coroado rei no mesmo dia do funeral do antecessor, o que, dependendo de quem você perguntasse, era uma demonstração de pragmatismo político ou um ato de traição flagrante.
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Por que Guilherme da Normandia se achava no direito ao trono inglês
Guilherme não era exatamente uma surpresa na lista de candidatos. Anos antes, Eduardo teria prometido a ele o trono da Inglaterra, uma promessa que, naturalmente, não deixou nenhum documento assinado em cartório. Para tornar a disputa ainda mais interessante, Harold Godwinson havia visitado a Normandia em 1064 e, segundo os normandos, jurou lealdade a Guilherme sobre relíquias sagradas, reconhecendo seu direito à sucessão. Harold depois diria que o juramento foi feito sob coerção. Guilherme não aceitou essa versão, e o Papa Alexander II tampouco, abençoando a invasão normanda como uma causa justa.
Harold, o rei que não teve tempo de respirar
O que a série promete explorar com muita força é a impossibilidade estratégica em que Harold se encontrou. Antes de encarar Guilherme no sul, ele precisou marchar para o norte para deter a invasão do rei norueguês Harald Hardrada, que também reivindicava a coroa inglesa. Harold derrotou os noruegueses na Batalha de Stamford Bridge em 25 de setembro de 1066, numa vitória impressionante. Três dias depois, Guilherme desembarcou em Pevensey, no sul da Inglaterra, com cerca de 7 mil soldados. Harold teve que virar o exército inteiro e marchar de volta ao sul, a centenas de quilômetros de distância, sem descanso.
A Batalha de Hastings e o fim de uma era
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O confronto entre as forças de Harold e Guilherme aconteceu em Senlac Hill, a cerca de 11 quilômetros de Hastings, na manhã de 14 de outubro de 1066. A batalha durou o dia inteiro. O exército inglês formou uma muralha de escudos no alto da colina, o que inicialmente segurou as ondas de ataque normandas. Com o passar das horas, porém, a formação começou a ceder. Harold foi morto no final da tarde, e sem ele o exército inglês se desfez. No Natal daquele mesmo ano, Guilherme foi coroado rei da Inglaterra na Abadia de Westminster, encerrando de vez a era anglo-saxônica.
O impacto da conquista normanda que ainda sentimos hoje
A vitória de Guilherme não foi apenas uma troca de rei. Ela reconfigurou a Inglaterra de maneira profunda e permanente. A aristocracia anglo-saxônica foi quase inteiramente substituída por normandos. O francês tornou-se a língua oficial da corte e dos documentos, enquanto o inglês antigo praticamente desapareceu da escrita por quase dois séculos. É daí que vem boa parte do vocabulário do inglês moderno: as palavras mais formais e abstratas são de origem francesa e normanda, enquanto as palavras cotidianas têm raízes germânicas e saxônicas. Nikolaj Coster-Waldau, que interpreta Guilherme na série, chegou a comentar na entrevista ao Omelete que ficou fascinado ao descobrir que existe uma linha direta entre Guilherme, o Conquistador, e o Rei Charles III hoje.
O que Rei e Conquistador acrescenta à história
A série, criada por Michael Robert Johnson (roteirista do filme Sherlock Holmes, de 2009) e com episódio piloto dirigido pelo cineasta islandês Baltasar Kormákur, não se propõe a ser um documentário. Ela parte dos fatos históricos para explorar a relação entre Harold e Guilherme antes do confronto inevitável: dois homens que, por anos, foram aliados e até admiradores um do outro, antes de se tornarem inimigos mortais. É uma abordagem que funciona dramaticamente porque a história real já oferece essa ambiguidade. Não há, entre Harold e Guilherme, um vilão óbvio. Há dois homens convencidos de que têm razão, num mundo que não tinha espaço para os dois. E o resto conta com muita liberdade criativa.
Onde e quando assistir Rei e Conquistador no Brasil
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Rei e Conquistador estreia no Brasil em 2 de junho pelo Universal+. A série tem oito episódios e já está disponível em outros mercados desde agosto de 2025, quando foi lançada na BBC One no Reino Unido.


