A questão das férias e rotina escolar também tem a ver com saúde mental. Para o psiquiatra Rodrigo Gasparini, diretor médico da Instituição Francisca Júlia, em São José dos Campos, a rotina escolar exerce funções que não se limitam às atividades pedagógicas.
“A estrutura escolar, mesmo que imperfeita, organiza o cérebro em desenvolvimento. Ela regula o sono, estabelece vínculos sociais, dá sentido à rotina. Quando essa estrutura some de uma vez, especialmente em um adolescente que já carrega ansiedade ou depressão, o impacto pode ser imediato. O que os pais enxergam como preguiça ou mau humor, muitas vezes é um sinal clínico que precisa de atenção”, explica.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE em março de 2026, mostram que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam se sentir tristes na maioria dos dias. Outros 42,9% relatam irritação, nervosismo ou mau humor frequentes, enquanto 18,5% dizem pensar regularmente que a vida não vale a pena. O levantamento ouviu 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas.


