Com retorno de Anne Hathaway, Meryl Streep e Emily Blunt e Stanley Tucci, filme já arrecadou cerca de 253 milhões de dólares nas bilheterias.
O Diabo Veste Prada 2 chegou aos cinemas com a grata surpresa de ser tão interessante quanto a obra original. Distante da “maldição das sequências”, em que a continuação chega ao público sem um propósito claro e uma narrativa fraca, o longa conseguiu se relacionar a diversas questões relevantes da sociedade atual. Entre o glamour e toda a aura exalada pelos protagonistas, há um debate que coloca os problemas da mídia em pauta, assim como explora o tema da inteligência artificial de maneira realista.
De volta após 20 anos
20th Century Studios
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Stanley Tucci falou sobre a experiência de voltar ao papel tanto tempo depois e como o passar do tempo afetou (ou não) o seu personagem. “Gostei do fato de ele ainda estar mais ou menos na mesma posição de 20 anos atrás. Houve pouca evolução na carreira. Gostei do relacionamento dele com a Miranda. Gostei da dedicação dele a ela e ao trabalho. Ele, assim como ela, acredita que manter a qualidade é fundamental, não importa quais sejam as dificuldades”, explicou.
O ator, então, defendeu sua perspectiva. “Hoje em dia, jornalistas, revistas e jornais enfrentam muitas dificuldades por causa da inteligência artificial e dos nossos celulares. A necessidade de conteúdo aprofundado está começando a desaparecer. Gostei que a história do filme aborde isso. Acho ótimo. Não é só uma coisa fútil, tipo ‘Ah, que figurinos bonitos’. Claro que isso também existe, mas gostei que esteja inserido em uma história substancial.”
Diabo Veste Prada 2 explora problemáticas atuais
20th Century Studios
Sobre a questão da inteligência artificial, mostrada amplamente no longa, ele também pondera: “O filme transmite a mensagem de que precisamos ter cuidado e sempre lembrar que as pessoas são mais importantes do que qualquer coisa. É realmente assustador para os jovens, em particular, porque o que está acontecendo agora é que as pessoas estão voltando para profissões técnicas: encanamento, ar condicionado, aquecimento, eletricidade… Todas essas áreas, porque esses são os empregos que vão existir. E um número enorme de empregos simplesmente desaparecerá”, refletiu o artista.
Ele continua: “Algo que levava um mês para alguém avaliar se uma empresa valia a pena ser comprada ou algo do tipo, será feito em três horas. Isso já aconteceu. A IA faz isso. Você não precisa dessa pessoa. Você não precisa dessa equipe. Outro efeito que isso terá — eu estava lendo sobre isso outro dia — é que quanto menos pessoas trabalhando, menos impostos serão arrecadados. Então, os governos sofrerão e as redes de proteção social sofrerão. A IA não pode resolver isso”, concluiu.
O Diabo Veste Prada 2 segue em cartaz nos cinemas.
