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Mais erros e lesões: a aposta da ciência para o calor de Brasil x Noruega

Suando em bicas, eu despencaria jogando pebolim. Mas atletas de alta performance não parecem sofrer tanto. Em geral, caem na grama por falta ou por catimba. Poucas pessoas entendem disso tão bem quanto o fisiologista do esporte Orlando Laitano, brasileiro que há uma década leciona na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, onde chefia um laboratório que conduz estudos sobre as respostas de atletas à temperatura ambiente.

Por que os jogadores toleram o calor mais que nós?

“Porque eles fazem cargas muito altas de exercício diariamente”, responde o professor Laitano. Claro, a tática da adaptação ao calor também envolve cuidados com a alimentação, com o sono e com tudo mais que fisiologistas como ele recomendam para o corpo aguentar tanto treino. “Qualquer indivíduo já é, ele próprio, uma usina de calor”, diz ele. “Afinal, o corpo humano é ineficiente para transformar toda a energia que obtém em energia mecânica, isto é, em movimento.”

Lembra-se da famosa molécula de ATP, a bateria que guarda a energia do que comemos? “Ela é a moeda corrente no músculo, que tem um orçamento fechado: ele quebra ATP, libera energia e, depois, com as calorias dos alimentos, ressintetiza o ATP”, compara o fisiologista.

Nós, que damos palpite, mas não chutamos a bola, usamos no máximo 25% da energia dessa quebra para os músculos se contraírem. O resto? Vira calor. Já a musculatura de um atleta aproveita entre 25% e 30%. Ou seja, sobra muito calor com os treinos pesados. Isso, dia após dia, adapta seu organismo para tolerá-lo.

Eles suam a camisa primeiro

Pode apostar que jogadores como Neymar, Vini Jr., Endrick e, do lado adversário, Nusa, Sørloth e outros nomes impronunciáveis não só têm um organismo mais eficiente para gerar calor: eles perdem calor com maior eficiência também.

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