Após uma pausa de um mês forçada pelos conflitos em andamento no Oriente Médio, a temporada da F1 foi retomada neste fim de semana. Canceladas as corridas do Bahrein e da Arábia Saudita, a disputa se reiniciou em Miami Gardens, nos Estados Unidos, com mudanças no regulamento e mais uma vitória de Kimi Antonelli, da Mercedes.
Foi o terceiro triunfo consecutivo do italiano, que neste domingo (3) travou um duelo com o britânico Lando Norris, da McLaren, atual campeão da categoria. Ele estabeleceu um bom ritmo e conseguiu se manter na primeira colocação durante a maior parte da prova no circuito de rua nos arredores de Miami. O australiano Oscar Piastri, da McLaren, completou o pódio.
Antonelli, de apenas 19 anos, agora contabiliza 100 pontos. Ele é seguido por seu companheiro de Mercedes, o britânico George Russell (80), que não teve um grande desempenho nos Estados Unidos e terminou a disputa na quarta colocação. Já o brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, completou o percurso fora da zona de pontuação, em 12º lugar.
O GP de Miami foi antecipado em três horas pela organização do campeonato por causa da previsão de tempestade no fim da tarde. E foi o primeiro com as mudanças feitas no regulamento, após os problemas registrados no início da temporada. Elas deixaram o ritmo da corrida mais parecido com o que se viu na F1 nos últimos anos.
As alterações foram necessárias por causa das queixas dos pilotos nas provas iniciais de 2026. Com a adoção dos motores com sistema híbrido –a parte elétrica passou a oferecer quase 50% da potência, com o restante proporcionado pela combustão–, houve dificuldades evidentes e o que se chamou de “ultrapassagens ioiô”.
Nos três primeiros GPs do ano, os carros estavam se revezando e trocas constantes de posição, ocasionadas pela variação na carga das baterias. As mudanças bruscas de velocidade também geravam questões de segurança e acidentes como o sofrido pelo britânico Oliver Bearman, da Haas, em Suzuka, no Japão.
Diante desse cenário, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) aproveitou a parada no calendário para rever o regulamento. Houve uma série de ajustes, um deles no intuito de limitar diferenças repentinas de desempenho. O ganho extra de potência (“boost”) foi limitado a 150 kW, o que deixou a prova que os competidores chamaram de “mais normal”.
O que não mudou foi o desempenho de Antonelli, que vem chamando a atenção pela regularidade. Ele já havia se tornado, aos 19 anos, sete meses e quatro dias, o mais jovem líder da história da F1. E manteve o alto nível na retomada da temporada, com a “pole position” e a primeira colocação de ponta a ponta.
“Isto é só o início”, afirmou o garoto, que se tornou o terceiro da categoria a conquistar suas três primeiras “poles” de maneira consecutiva –os outros foram o brasileiro Ayrton Senna (1985) e o alemão Michael Schumacher (1994). “Estamos trabalhando de maneira muito dura. A equipe está fazendo um trabalho incrível, sem eles eu não estaria aqui.”
