Com o TIC Trem, uma revolução nas relações de mobilidade com os atuais meios de locomoção acontecerá. Já em execução, com canteiro de obras em Campinas, Valinhos, Louveira e Jundiaí promete diminuir, em muito, o tempo de deslocamento entre essas cidades, com conforto e velocidade de 140 km/h. Dentro desse novo cenário, o planejamento para as áreas adjacentes às estações serão privilegiadas e já estão planejadas áreas de interesse social e projetos que irão alterar a hierarquia do zoneamento da cidade em um processo, pode se dizer, revolucionário.
As novas centralidades farão diferença na opção de moradia. Acredito que moradias distantes, com poucas opções de mobilidade urbana, estão com a perspectiva de desvalorização com consequente desinteresse no Vetor Oeste e Itupeva, porque é crítico o ir e vir.
As áreas mais atraentes serão as situadas próximas das novas Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) dessas centralidades, porque inevitavelmente os Planos Diretores privilegiam lugares caros para morar melhor, mas não aproximam habitação de interesse social a essas áreas. Não planejam moradias para os funcionários das grandes casas que necessitam muito de serviços e de trabalhadores que, muitas vezes, moram em outras cidades, perdendo cada vez mais tempo nos deslocamentos da moradia para seus trabalhos.
Acredito que vai haver um movimento inverso ao que vemos hoje, empreendimentos mais caros serão feitos próximos a essas centralidades, por um motivo maior: a comodidade dos serviços e a possibilidade de ter tudo junto. Não podemos esquecer que serviços domésticos estão cada vez mais caros e procurados na região. Pode acontecer um desenvolvimento importante em Louveira e Valinhos nesse sentido. Não acredito que isso aconteça em Vinhedo, que por questões ambientais não pode crescer, mas vai valorizar o que já existe e quem já mora ali.
O TIC é o último recurso para desafogar a mobilidade, diminuindo a necessidade do uso individual do veículo para deslocamentos diários. Com trilhos para carga, esperamos que os caminhões sejam poupados. Essa semana, assistimos a um congestionamento de caminhões na Via Anchieta. A imagem foi impressionante: foram três vias de caminhões parados, como três trens de mais de 40 km de extensão, o que é prova gritante que precisa do trem de carga para a escoar a produção paulista.
Seria importante ter nas novas legislações mais áreas de conservação ambiental, principalmente próximas de rios, que precisam de recuperação na mata ciliar, como o Rio Jundiaí e, em áreas que já estão em processo natural de recuperação, onde deve ser garantida sua restauração, atendendo assim, ao pedido do Ministério Público para que se junte fragmentos de mata urbana para construir corredores de fauna e flora.
É insustentável edifícios adensados em lugares que não poderiam estar, longe de tudo. É preciso ter o zoneamento revisto. Enquanto o TIC não vem, do jeito que está o trânsito, vai ser necessário adotar o rodízio, aqui já está muito pior que em São Paulo. O aumento de motoristas de aplicativo já está ajudando as pessoas a deixarem veículos nas garagens, e tende cada vez mais ser um hábito. Que venha logo esse TIC!
Eduardo Carlos Pereira é arquiteto e urbanista


