Um cachorro que passou anos esperando por uma família voltou ao abrigo poucos dias após ser adotado por um motivo que gerou revolta: ele não conseguia subir escadas.
Vicente foi encontrado pelo projeto Alimente Um Bichinho em abril de 2023, sozinho em uma rua de Belo Horizonte (MG).
O cão estava chorando baixinho, muito magro e com dificuldade para andar. Ao lado dele, apenas um pano e recipientes com ração e água. Alguém o havia deixado ali.
A equipe suspeitava que Vicente fosse um cão idoso, mas a avaliação veterinária indicou que ele tinha cerca de três anos.
“O fato de parecer velhinho sendo um cão jovem mostra o quanto ele é sofrido e debilitado”, relatou a equipe na época do resgate.
Após ser acolhido, Vicente passou por diversos exames e tratamento para doenças do carrapato e, aos poucos, começou a se recuperar.
Foi encaminhado para um lar temporário, onde demonstrou um comportamento dócil. Mesmo sendo maior que outros cães, não entrava em conflitos. Pelo contrário, mostrava receio.
Com o tempo, ganhou confiança, começou a brincar e finalmente parecia pronto para encontrar um lar definitivo. A adoção veio depois de um longo período de espera no abrigo.
A devolução
A nova fase durou pouco. Cerca de duas semanas após a adoção, o tutor entrou em contato com a ONG relatando dificuldades: Vicente não conseguia subir as escadas da casa.
A situação chamou atenção da equipe, que tentou ajudar. Foi oferecida, inclusive, orientação com um veterinário comportamental para auxiliar na adaptação do animal ao novo ambiente.
Ainda assim, a decisão foi tomada e Vicente foi devolvido.
“É isso mesmo que vocês leram. Um cão que nunca tinha visto uma escada na vida, além de ser idoso, obviamente teria que se adaptar a isso”, escreveu o abrigo em uma publicação.
Para os voluntários, o motivo apresentado não justificava a devolução e indicava falta de preparo para lidar com o processo de adaptação de um animal resgatado.
Um novo desafio de saúde
De volta ao abrigo, Vicente enfrentou mais um obstáculo. Foram identificados tumores na região traseira, e exames indicaram suspeita de neoplasia.
A ONG mobilizou apoiadores para custear o tratamento, que envolvia cirurgia e eletroquimioterapia. O procedimento foi realizado em 23 de abril, com sucesso.
“Foram retirados, na verdade, três tumores”, informou a equipe, agradecendo a ajuda recebida.
O período pós-operatório exige cuidados intensivos, já que a região operada é sensível e propensa à contaminação. Vicente permanece sob acompanhamento enquanto se recupera.
Repercussão
A história gerou forte reação nas redes sociais. Seguidores da ONG demonstraram indignação com o motivo da devolução e solidariedade ao cão.
“Eu não acredito que devolveram ele por isso. Sério…”, comentou uma internauta.
Outros apontaram que, apesar de dolorosa, a devolução pode ter evitado uma situação pior. “Foi melhor ter voltado. Iriam manter ele isolado”, opinou uma seguidora.
Também houve uma corrente de apoio, com mensagens desejando recuperação e uma nova chance para Vicente.
O que considerar antes de adotar
A adoção de um novo animal representa uma mudança significativa na rotina e exige planejamento. Casos como o de Vicente reforçam a importância de avaliar cuidadosamente a decisão.
Rotina
De acordo com a organização Humane Colorado, antes de receber um pet em casa, é fundamental refletir sobre o estilo de vida da família.
Pessoas que passam muito tempo fora, por exemplo, podem ter dificuldades em atender às necessidades de um cão que exige atenção, passeios e interação.
Outro ponto importante é entender as características do animal desejado, como idade, nível de energia e possíveis condições de saúde. Animais resgatados podem demandar tempo para adaptação, além de cuidados específicos.
A organização também destaca a necessidade de avaliar a tolerância a comportamentos comuns, como dificuldades de aprendizado, necessidade de treinamento e possíveis limitações físicas. Ensinar um cão a lidar com um novo ambiente faz parte desse processo.
Estrutura
Além disso, é essencial considerar a estrutura da casa. Espaços com muitos degraus, ausência de áreas seguras ou restrições impostas por contratos de aluguel podem impactar diretamente a adaptação do animal.
Outro fator relevante é o orçamento. Custos com alimentação, consultas veterinárias e possíveis emergências devem ser levados em conta antes da adoção.
A convivência com outros animais também precisa ser avaliada. A introdução de um novo pet pode exigir tempo e manejo adequado para evitar estresse e conflitos.
Por fim, a decisão deve ser compartilhada entre todos os membros da casa, garantindo que todos estejam dispostos a assumir a responsabilidade.
Clique aqui para acompanhar o caso de Vicente no Instagram do Alimente um Bichinho.
