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Copa transforma o futebol em vitrine global

A “Paella Espanhola” levou a melhor sobre o “Churrasco Argentino. O jogo final da Copa do Mundo 2026, disputada no último domingo em Nova Jersey (EUA), não decepcionou. Trouxe emoção, surpresas, movimentos rápidos dos jogadores e a vontade de ambos os times de ganhar a taça e levar a réplica banhada a ouro para casa, já que a verdadeira – feita de ouro maciço de 18 quilates e pesa aproximadamente 6,175 kg – fica permanentemente no Museu do Futebol da FIFA, em Zurique, na Suíça. 

Além do show dentro do campo, pudemos assistir ao desfile de moda de celebridades, durante os intervalos, nos camarotes vips, transformando o estádio em uma vitrine para as grifes de luxo e alta-costura. Robbie Williams, Laura Pausini e Nicole Scherzinger apresentaram o hino oficial da FIFA, com figurinos coordenados e pensados para o público do estádio. 

Não menos glamouroso foi a cerimônia de encerramento e o show musical. O destaque ficou para a vestimenta usada por Shakira – um conjunto exclusivo da Roberto Cavalli, com mais de 200 mil cristais Swarovski aplicados manualmente. Os 34 bailarinos transformaram a dança, coordenada com a cantora, numa mostra de coleção de moda apresentada ao vivo, para aproximadamente um bilhão de espectadores, somando televisão e plataformas digitais, segundo projeções da FIFA. 

Ainda seguindo a linha desfile de moda, Madonna, por sua vez, trouxe em seu figurino referências do universo esportivo com alta-costura, luvas cobertas por cristais Swarovski, num estilo que uniu futebol, pop e moda de luxo, disseram os especialistas da área.

Já Justin Bieber apareceu com um visual contemporâneo do street Luxury, silhueta ampla, peças minimalistas, tênis de edição especial, predominância de tons neutros. Um contraponto ao brilho intenso de Shakira e Madonna, mostrando duas linguagens de moda completamente diferentes, falaram os entendidos. 

Uma grande mudança na perspectiva de divulgação de marcas durante eventos de futebol foi observada nesta Copa. A FIFA passou a vender produtos de entretenimento de luxo, além do evento esportivo, proporcionando novas oportunidades comerciais para estilistas, grifes e patrocinadores.

O final da Copa do Mundo deste ano simbolizou o marco de uma nova era para os espetáculos futebolísticos. Nascido nos bairros operários da Inglaterra e consagrado como patrimônio cultural das massas, o futebol passa a ocupar o centro da indústria global do entretenimento e do consumo de luxo. A bola continua sendo a razão do evento, mas agora divide espaço com grifes, celebridades e estratégias de marketing cuidadosamente planejadas. O torcedor, antes protagonista de uma paixão essencialmente popular, torna-se também consumidor de um estilo de vida vendido em escala planetária. É um novo tempo, em que o valor simbólico da camisa convive com o valor comercial da etiqueta, revelando que, na economia da atenção, a disputa por mercados pode ser tão decisiva quanto a disputa pela taça. 

Rosângela Portela é jornalista, consultora e mentora em comunicação

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