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Câncer de pulmão: radônio, uma ameaça que o Brasil não conhece o tamanho

Se esses níveis superam 148 Bq/m³, ou becquerels por metro cúbico — o becquerel é uma unidade de medida de radiação encontrada no ar —, a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) sugere que ninguém trabalhe no subsolo, quando se trata de uma empresa, por exemplo.

Na Europa, é parecido. Por lá, alguns países ainda toleram 300 Bq/m³, mas o Código Europeu para a Prevenção do Câncer já recomenda que o nível máximo seja três vezes menor que isso.

No entanto, na nossa versão do documento, voltada para a realidade latino-americana, ainda não se enfatiza tanto o radônio. Por alguns motivos. Um deles é que desconhecemos o tamanho dessa encrenca.

“No Brasil, apesar de estarmos sentados na quinta maior reserva de urânio do planeta, ainda não temos uma ideia clara da emissão desse gás”, comenta o oncologista Gustavo Schvartsman, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. “Em Poços de Caldas, sabemos que há muito radônio. Essa cidade mineira se situa sobre uma formação geológica rica em urânio. Não deve ser coincidência que, por lá, a incidência de câncer de pulmão esteja acima da média de outras localidades do país”, lembra o médico.

Além de algumas áreas de Minas Gerais, a Bahia, o Ceará, o Amazonas e o Pará são estados brasileiros com um solo mais abundante de urânio. Logo, dá para deduzir que exista radônio por esses ares.

De onde vem o gás

“No solo, o urânio vai se desintegrando uma porção de vezes até virar chumbo que, ao contrário dele, é uma molécula estável”, conta Elisabeth Yoshimura, professora titular do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo). Sim, é estabilidade o que a molécula radioativa busca, perdendo partículas e energia, processo que os físicos chamam de decaimento.

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