Entre 1990 e 2023, a chamada lacuna de morbidade mundial aumentou de 8,8 para 10,7 anos. No mesmo período, a expectativa de vida global ao nascer subiu de 64,6 para 73,8 anos, enquanto a expectativa de vida saudável avançou de 55,9 para 63,1 anos. Ou seja, os anos de vida aumentaram, mas uma parcela desse ganho veio acompanhada de problemas de saúde.
No Brasil não foi diferente. Por aqui, a lacuna de morbidade chegou a 12,5 anos em 2023. Em 1990, era de 10,4 anos. Um aumento de cerca de 20% ao longo de pouco mais de três décadas.
O dado coloca o Brasil entre os países com maior lacuna de morbidade no mundo, posicionado em 16º lugar entre os 204 países e territórios analisados.
O ranking é liderado pelos Estados Unidos, com 14 anos, seguidos por Austrália, com 13,9, e Canadá, com 13,7. Entre os dez primeiros também aparecem Nova Zelândia, Holanda, San Marino, Suíça, Líbano, Reino Unido e Porto Rico.
Um dos resultados mais curiosos é que os países onde as pessoas vivem mais tendem também a apresentar as maiores lacunas. Isso sugere que prolongar a vida não garante, por si só, que o tempo adicional seja vivido sem doenças ou incapacidades.
As mulheres enfrentam uma diferença ainda maior. Em 2023, a lacuna de morbidade global foi estimada em 12,1 anos para elas, contra 9,3 anos para os homens. A combinação entre maior longevidade e maior tempo vivido com problemas de saúde ajuda a explicar parte desse resultado.


