O centenário de Bezerra da Silva, celebrado no próximo ano, deve ter o lançamento de diversos projetos relacionados ao artista. O sambista, que completaria cem anos em fevereiro de 2027, deve ganhar uma série documental, dois livros, um musical, shows, um disco e um especial de televisão.
Esses são os planos da Bezerra King, a empresa da família que detém os direitos da obra do artista, da CUFA (Central Única das Favelas) e da Favela Holding, que estão por trás do projeto “Bezerra da Silva 100 Anos”. Os organizadores apresentam as iniciativas nesta quinta-feira (28), em evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A produção audiovisual será conduzida por Celso Athayde, fundador da CUFA, e Rafael Dragaud, roteirista que trabalhou cerca de 30 anos na TV Globo e fez recentemente a direção da turnê “Tempo Rei”, de Gilberto Gil. “Estamos construindo como uma série documental, e agora vamos buscar os parceiros”, diz Athayde. “Rafael e eu queremos juntar memória, música, favela, religião e também mostrar a força cultural e social que ele teve e ainda tem no Brasil.”
A frente musical, que engloba shows e registros em áudio, terá coordenação de Preto Zezé, Vinicius Athayde e Fábio Almeida. As músicas de Bezerra da Silva serão interpretadas por cantores de gerações mais novas. Marcelo D2, Zeca Pagodinho, Orochi, Seu Jorge e Jorge Aragão, dizem os organizadores, estão confirmados no projeto.
“A ideia é ter shows ao longo do centenário em diferentes cidades, encontros especiais e também registros musicais inéditos”, afirma Athayde. “Vamos misturar palco, música gravada e audiovisual, tudo conectado dentro dessa celebração para então culminar em um grande momento para a TV.”
Dois livros relacionados a Bezerra da Silva estão previstos. De acordo com Léo Bezerra, filho do sambista e um dos líderes do projeto, um deles vai narrar a biografia do artista, com “memória, histórias, documentos e bastidores da vida e da carreira”. Já o outro vai ser um “papo mais familiar, mais pessoal”.
“Vai ser uma espécie de prestação de contas dos seus filhos contando um pouco para ele sobre seus netos e como estamos vivendo”, ele afirma. “Sem deixar de falar para ele sobre sua importância cultural e social para nossa família. Eu, Ítalo e Ulisses estamos participando diretamente disso.”
O projeto ainda inclui um musical para o teatro, com direção de Elísio Lopes Jr. Entre as outras pessoas envolvidas na iniciativa estão Letícia Gabriela, Jhon Oliveira e Elaine Caccavo, responsáveis pelo especial de TV pela Favela Filmes. Caccavo também faz a coordenação executiva dos projetos literários.
As ações, que visam preservar o legado de Bezerra da Silva, estão programadas para acontecer ao longo do ano que vem. “É a chance de cuidar da memória do nosso pai com carinho e respeito, e, ao mesmo tempo, apresentar esse legado para uma geração nova que muitas vezes conhece uma música, mas ainda não conhece a dimensão da história dele”, diz Léo Bezerra.
Um dos mais influentes nomes do samba em todo o Brasil, Bezerra ficou conhecido por cantar letras que retratavam o cotidiano das favelas no Rio de Janeiro. Ele morreu em 2005, aos 77 anos.


