Vinte anos após o lançamento de O Diabo Veste Prada, a aguardada continuação chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30, com o desafio de atualizar suas personagens centrais e refletir o estado da mídia. Para tal, três mudanças notáveis marcam o roteiro:
Jornalismo em primeiro plano

Quando o primeiro Diabo Veste Prada foi feito, o jornalismo impresso era o alto graal da moda. Vinte anos depois, não é bem assim. A trama da continuação reflete, justamente, as mudanças na profissão em meio às redes sociais, que diminuem a quantidade de veículos e acirra a relação entre escritores, anunciantes e o público. Desta vez, Andie Sachs (Anne Hathaway) não é mais uma brilhante jornalista em formação, mas uma mulher premiada por seu trabalho na cobertura da geopolítica. Nem isso, porém, a impede de ser vitimada por mais uma demissão em massa. Profundamente afetada, ela discursa em defesa do próprio trabalho em um evento e viraliza na internet. O vídeo vai parar nas mãos do chefe da companhia que chefia a revista Runway, e ela então é convocada para ajudá-los a conter uma crise de imagem da publicação. Daí em frente, ela, Miranda (Meryl Streep) e Nigel (Stanley Tucci) se reúnem, deixando as antigas picuinhas de lado. O resultado diminui o tempo de tela para montagens glamourosas e tarefas estapafúrdias como conseguir uma edição antecipada de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Agora, todos têm um objetivo maior em comum: perseverar.
Miranda atenuada

Por conta disso, a editora Miranda Priestly não é mais a megera de outrora. Foram-se os dias de atirar casacos em suas assistentes e distribuir ofensas livremente pelo escritório. A personagem mantém a postura fria e ainda consegue mostrar as garras do passado, mas está mais madura e é vista pela primeira vez em posição de subserviência profissional. Em nome da revista e de seus interesses, a poderosa chefona é obrigada a bajular homens poderosos e a ocasionalmente abaixar a cabeça. O contraste é prato cheio para que Meryl Streep dê novos contornos à sua atuação e faça boas piadas sobre o zeitgeist.
Diversidade encorpada

Outro sinal dos novos tempos é o elenco consideravelmente mais diverso do que o original — que só tinha uma pessoa não branca em papel de destaque, Tracie Thoms. Desta vez, ela retorna como a melhor amiga de Andie, Lily, e é acompanhada pela nova assistente de Miranda, interpretada não por Emily Blunt, mas pela inglesa Simone Ashley, de ascendência indiana. O subalterno da jovem, por sua vez, é vivido pelo comediante gay Caleb Hearon, que ficou famoso na internet por discutir a própria sexualidade e o sobrepeso sem pudores. Também estão no elenco Lucy Liu e Helen J. Shen, além de diversas outras figuras que fazem participações especiais, como o estilista Law Roach e a modelo Naomi Campbell.
Acompanhe notícias e dicas culturais nos blogs a seguir:
- Tela Plana para novidades da TV e do streaming
- O Som e a Fúria sobre artistas e lançamentos musicais
- Em Cartaz traz dicas de filmes no cinema e no streaming
- Livros para notícias sobre literatura e mercado editorial
