Aos 43 anos, o genial comediante veio a óbito após sofrer um ataque cardíaco no hotel onde a equipe do programa Casseta & Planeta estava hospedada.

No dia 17 de junho de 2006, em plena Copa do Mundo, o Brasil recebeu a triste notícia da morte de Cláudio Besserman Vianna, o eterno Bussunda. Integrante do Casseta & Planeta, Urgente!, da Globo, o humorista estava na Alemanha para gravar conteúdos especiais sobre o torneio quando sofreu uma parada cardíaca em Parsdorf, a cerca de 16 km de Munique. Ele tinha 43 anos e morreu no quarto do hotel onde a equipe do programa estava hospedada.
Segundo relatos da época, Bussunda sofria de asma e já havia demonstrado sinais de cansaço no dia anterior. Durante uma “pelada” entre integrantes da equipe do Casseta & Planeta e hóspedes americanos, o artista teve dificuldade para acompanhar o ritmo da partida e pediu para ficar no gol. “O jogo não durou meia hora, a gente acabou parando por causa dele”, contou o casseta Cláudio Manoel em entrevista à Folha de S.Paulo.
Após deixar a partida, Bussunda recusou atendimento médico e foi descansar. Na manhã seguinte, acordou reclamando de fortes dores no peito. Por coincidência, dois paramédicos estavam hospedados no mesmo hotel e, quando chegaram para prestar os primeiros socorros, o humorista sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Em declarações publicadas pelo jornal O Globo, o cardiologista Flávio Cure, que acompanhava o comediante, afirmou que ele gozava de boa saúde, apesar do sobrepeso. Cerca de seis meses antes, Bussunda havia realizado um check-up completo, com resultados dentro da normalidade. Ele não fumava e praticava atividades físicas regularmente. “Foi realmente uma surpresa para mim o que aconteceu. Estava tudo certo com ele”, afirmou o médico na época.
Bussunda e seu legado no humor
Enquanto ainda flertava com o diploma de Jornalismo na UFRJ (que acabou ficando pelo caminho), Bussunda já mostrava que seu destino não era a formalidade acadêmica, mas fazer o Brasil rir. Foi ali que se juntou a Marcelo Madureira, Beto Silva e Hélio de La Peña, estudantes de Engenharia, para atuar como redator do jornal estudantil Casseta Popular.
TV Globo
A publicação, que misturava política e humor sem pedir licença, cresceu, virou revista e, pouco depois, se fundiu ao irreverente Planeta Diário, de Hubert Aranha e Reinaldo Figueiredo. Nascia ali um dos grupos mais afiados e assumidamente sem filtro do humor brasileiro.
O talento chamou atenção rapidamente: em 1988, a turma foi parar na TV Globo como roteirista do TV Pirata, um marco na comédia nacional. O passo seguinte era inevitável. Em 1992, estreava o Casseta & Planeta, Urgente!, que transformou o deboche em linguagem oficial nas noites de terça-feira. Durante quase duas décadas no ar, o programa fez do absurdo uma arte, com esquetes ácidas, paródias e personagens que grudaram no imaginário popular.
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Hoje, 20 anos após sua partida precoce, Bussunda segue lembrado como um dos grandes nomes do humor nacional. Entre seus personagens mais conhecidos estão o Marrentinho Carioca, o “craque” do Tabajara Futebol Clube, o halterofilista Ulson Montanha e o inesquecível Ronaldo Fofômeno, sátira do ex-jogador Ronaldo Nazário.
Além da televisão, Bussunda se aventurou no cinema, atuando em filmes como Como Ser Solteiro (1998) e Zoando na TV (1999), além de produções do próprio grupo de humor: Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa (2003) e Casseta & Planeta: Seus Problemas Acabaram! (2006), lançado poucos meses após sua morte.
O genial humorista também emprestou sua voz a um dos personagens mais populares da animação, o ogro Shrek, nas versões brasileiras dos dois primeiros filmes da franquia.
Para conhecer melhor a trajetória do comediante e matar a saudade, a série documental Meu Amigo Bussunda, disponível no Globoplay, retrata a vida do artista desde a infância até os momentos que antecederam sua morte precoce, aos 43 anos.


