Um caderno de composição de Wolfgang Amadeus Mozart, um manuscrito que inclui sete peças para harpa e flauta, foi encontrado por um curador da Biblioteca Nacional da França, em Paris, anunciou a instituição nesta sexta-feira.
“É uma grande descoberta, reconhecida pelos especialistas”, afirmou Gilles Pécout, diretor da biblioteca, acrescentando que a peça revela informações “sobre o jovem professor Mozart” e documenta “a última estadia parisiense” do músico, em 1778.
O caderno contém uma dúzia de “lições de composição” do músico austríaco, morto em 1791.
O compositor deu aulas “diariamente” em Paris, de maio a julho de 1778, “a Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, filha do duque de Guînes, excelente harpista”, explicou François-Pierre Goy, curador do departamento de música da biblioteca e responsável pela descoberta extraordinária.
O caderno foi encontrado em 2 de fevereiro, quando Goy examinava um pacote de quase 20 manuscritos anônimos, que o especialista pretendia analisar antes da aposentadoria.
“Nem de longe poderia imaginar o que encontraria”, confessou Goy.
Ao observar as notas e os pentagramas, alguns elementos “característicos” da escrita chamaram sua atenção, como “as claves de sol bastante arredondadas, levemente inclinadas para a frente” ou “a clave de fá” traçada no sentido inverso à maneira que é representada na França.
Ao compará-lo com outros manuscritos digitalizados, o papel utilizado, francês, e o fato de o caderno ter os mesmos selos que uma cópia francesa do “Concerto para flauta e harpa” de Mozart, encomendada pelo duque de Guînes, reforçaram a ideia de que se tratava do compositor austríaco.
O documento foi submetido a uma perícia e sua atribuição foi validada no fim de abril pela Biblioteca Mozartiana da fundação Mozarteum de Salzburgo, cidade natal do músico.
As 44 páginas incluem também “sete peças para flauta e harpa”, das quais a última está inacabada, afirmou Goy ao apresentar o caderno, muito bem conservado.
As peças “partem sempre de uma ideia proposta por Mozart”, segundo a biblioteca francesa. Ao final, “as mãos do mestre e da aluna” se misturam nelas “em proporções variáveis”.
Por exemplo, “ele escreve a parte da harpa” e pede à duquesa “que escreva a parte da flauta”. Depois, eles trocam”, disse Goy.


