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Como Olivia Rodrigo partiu do new wave para cantar um amor fracassado em disco


Olivia Rodrigo foi a primeira estrela pop revelação desta década, uma ex-atriz do Disney Channel que estabeleceu um novo modelo para composições específicas e confessionais em escala massiva.

Em hits de bilhões de streams como “Drivers License” e “Good 4 U”, Rodrigo, agora com 23 anos, construiu uma carreira com base em dois impulsos musicais complementares: baladas poderosas e um pop-punk exasperado. Em seus dois primeiros álbuns, “Sour” e “Guts”, suas músicas tinham alvos; a fúria que ela canalizava acertou em cheio uma frequência que ativou uma legião de jovens fãs femininas.

Agora, do outro lado do que Rodrigo chama de seu primeiro “relacionamento de gente grande”, o terceiro álbum da cantora e compositora, “You Seem Pretty Sad For a Girl So in Love”, que chega às plataformas nesta sexta (12), dá um passo atrás e depois aproxima o zoom.

Ao longo de 13 músicas, Rodrigo avalia um relacionamento fadado ao fracasso do início ao término em detalhes em tempo real —a emoção crua de uma nova conexão (“Drop Dead”, que estreou em primeiro lugar), o abandono de se apaixonar perdidamente (“stupid song”, “u + me = <3”), as inquietações inexplicáveis (“Maggots for Brains”, “My Way”), as percepções de revirar o estômago (“Begged”), a aceitação do fim (“Cigarette Smoke”).

Inicialmente, ela esperava escrever sobre uma nova satisfação de uma forma que não fosse entediante. “Essa foi uma tarefa assustadora para mim”, disse Rodrigo ao Popcast, o programa de cultura pop do The New York Times, em sua primeira entrevista aprofundada sobre o álbum.

Como “alguém que era muito conhecida por escrever músicas de término e por estar com raiva e triste”, ela disse, “eu queria provar para mim mesma que não precisava estar miserável para escrever uma música de que eu gostasse”.

Mais ou menos na metade do processo de composição do álbum, sua história pessoal tomou um rumo diferente. Trabalhando pela terceira vez consecutiva com Dan Nigro, produtor e colaborador de composição, Rodrigo voltou para ajustar e contar uma história mais verdadeira. “Após escrever músicas de término”, ela disse, “tivemos o desafio divertido de voltar e realmente ajustar algumas das músicas de amor do disco e torná-las um pouco mais honestas, mais tristes e mais sinistras”.

Rodrigo citou tanto “Paixão Simples” da autora vencedora do Nobel Annie Ernaux quanto “Sex and the City” —especificamente o relacionamento entre Miranda e Steve— como referências.

“Eu estava realmente inspirada por todas as formas pelas quais o amor te deixa louca e miserável”, disse Rodrigo. Para combinar com o sentimento, ela optou por uma paleta de new wave dos anos 1980 que tem uma gama mais vibrante e complexa do que o rock pesado no qual ela se apoiou até agora.

Em conversa com Jon Caramanica e Joe Coscarelli do Popcast, Rodrigo discutiu as muitas formas como seu processo criativo se cruza com o ruído extracurricular do superestrelato pop, seja gerenciando dramas de relacionamento; acusações de roubar gestos de composição de Taylor Swift, seu antigo ídolo; ser atacada pela forma como se veste; ou sua disposição de se manifestar sobre causas políticas e sociais de uma forma que muitos de seus colegas não fazem.

Estes são trechos editados da conversa.

CARAMANICA: Este álbum me parece uma mininarrativa cronológica e estruturada. Você está escrevendo essas coisas em tempo real conforme as experiências acontecem? É assim que você aplica criatividade a uma experiência vivida?

RODRIGO: Na maior parte é cronológico e na ordem em que aconteceu na minha vida, e é a primeira vez que isso acontece. Eu escrevo músicas para processar meus sentimentos, então todo dia, quando eu venho e sento no piano ou vou ao estúdio, é tipo: “O que está queimando em mim para dizer agora?”

COSCARELLI: Quando você percebeu que tinha um final?

RODRIGO: Eu sempre fui meio curiosa sobre tentar extrair esses sentimentos mais deprimentes dessas músicas de amor. Acho que inicialmente eu pensei que era isso que o disco seria, só músicas de amor, mas tentando injetar alguma tristeza nelas. E então, obviamente, a tristeza, de uma forma real ou mais completa, se infiltrou no final.

COSCARELLI: Você fala sobre a natureza desestabilizadora do amor e mencionou “Sex and the City” em relação ao álbum. Tem uma música, “Maggots for Brains”, que foi uma em que eu pensei: essa é uma música muito Miranda.

RODRIGO: Sim, é daquela cena em que Miranda está voltando com Steve e ela fala: “Toda vez que algo engraçado acontece, eu quero te contar”, e é uma das letras no segundo verso. Essa é uma das minhas músicas favoritas do disco. Acho que, quando fizemos essa, sonoramente, eu pensei: “Ah, sim, isso parece certo.”

Eu amo rock e tenho tanta reverência pelo rock, e é tudo que eu realmente escuto. Mas acho que, entrando nisso, não parecia empolgante para mim —rock no sentido tradicional, tipo “power chords”, distorção. Mas uma música como essa parece alternativa para mim, sem ser tipo “I Love Rock ‘n’ Roll” da Joan Jett. Era de uma forma mais sutil, e isso era mais empolgante para mim do que escrever alguma coisa muito bombástica.

CARAMANICA: Há certos momentos neste álbum que estão realmente vivendo, tipo, no mundo de 1982 a 1985. Você está pegando The Cure, talvez um pouco de Talking Heads, Devo. O que esse som e estilo sinalizam para você que o pop-punk com o qual você vinha brincando anteriormente não sinaliza?

RODRIGO: Tinha algo sobre a contenção disso que parecia bom. Eu estava simplesmente muito obcecada com esse tipo de música enquanto estava fazendo o álbum. Eu fiz Glastonbury com Robert Smith, o que foi insano. E eu sempre fui fã do The Cure, mas, desde que o conheci e, tipo, passei um tempo com ele, voltei e ouvi todas aquelas bandas de new wave.

Eu estava morando na Inglaterra na época, então, obviamente, você pega muita inspiração de bandas inglesas. Para mim, na composição, o sentimento sempre vem primeiro. E então eu sabia que queria escrever músicas sobre como era estar apaixonada. E o amor parece assim para mim —essa vibe, a qualidade emocional disso.

COSCARELLI: Você também usou um truque inteligente em que conecta o new wave dos anos 1980 com música influenciada pelo new wave. Tem um pouco de No Doubt em “My Way” e tem algumas músicas que soam como Le Tigre em vez de Bikini Kill.

CARAMANICA: Grande fã da Olivia, a Kathleen Hanna.

RODRIGO: [sussurrando exageradamente] Eu amo a Kathleen Hanna.

COSCARELLI: O The Cure, que abrange ambas as eras, é um fio condutor no álbum. Você faz alusão a “Just Like Heaven” em “Drop Dead”, a primeira música. Depois tem uma música chamada “The Cure”. O que essa música significa para a história do álbum?

RODRIGO: Essa música é a declaração de tese do álbum. Lembro de fazer essa e me sentir tão empolgada, tipo: “Ok, eu sei o que estou tentando dizer.” Acho que, por muito tempo, quando eu era mais nova, eu estava sempre buscando algo. Tipo: “ah, se eu tiver essa coisa na minha carreira, vou ser mais feliz; se eu tiver esse cara e ele me amar do jeito que eu sempre achei que ele me amaria, vou me sentir melhor comigo mesma. E, lentamente, ao longo da minha vida e desse relacionamento sobre o qual estou falando, percebi que os problemas que você tem não vão ser resolvidos por outra pessoa.

Também acho que se apaixonar, na verdade, torna esses problemas ainda mais claros para você. Você se conhece tão profunda e intimamente ao se apaixonar por pessoas, ser crua e nojenta e cometer erros. E então eu também estava descobrindo isso. Eu estava em um relacionamento que era realmente real e íntimo pela primeira vez e pensando: “uau, isso está segurando um espelho para mim e estou vendo coisas que não gosto em mim mesma”. Essa foi uma percepção difícil, e acho que isso está embutido em “The Cure”. Acho que esse é o ápice do álbum. Acho que em todas as músicas de amor que levam até ela há uma pitada de insatisfação, e quando chega em “The Cure”, todo o artifício é removido.

COSCARELLI: Como você olha para trás para “Guts”, seu segundo álbum? Fiquei impressionado com o fato de que este álbum, ainda menos que os dois anteriores, não parece que você está buscando hits estrondosos necessariamente. Parecia que você queria fazer um álbum com “A” maiúsculo, com começo, meio e fim. E me pergunto se algo disso veio de como “Guts” foi ou não foi para você.

RODRIGO: Olhando para trás, tenho muita compaixão por mim mesma. “Sour”, aquilo foi loucura. Na época, eu não percebi o quão louco foi. E eu tinha 17 anos quando tudo aconteceu. Então tenho muita compaixão por mim mesma. Foi muita pressão. Acho que lançando [“Guts”], me senti um pouco tipo: “ai meu Deus, nunca vou fazer nada tão grande e tão bom quanto ‘Sour'” e “blábláblá”.

Mas, olhando para trás, tenho muito orgulho de tantas dessas músicas. Acho que “All-American Bitch” é minha música favorita que já escrevi. “Bad Idea”, lembro de pensar na época: ah, é estranha demais. E eu amo tanto essa música agora. Só ter um pouco de espaço muda totalmente sua perspectiva sobre isso. Tenho muito orgulho dos dois discos. Não acho que vou me arrepender de escrever honestamente sobre onde estou na minha vida.

COSCARELLI: Você tem sido tão aberta sobre suas influências e pessoas que são suas heroínas e o que você está tentando alcançar. Nem todos os artistas são assim —algumas pessoas são muito mesquinhas em dar crédito ou citar influências. Mas isso voltou para te morder algumas vezes, em termos de créditos de composição ou capas de álbum, pessoas tentando te expor por pegar emprestado demais. Como você superou o que imagino terem sido tempos bem difíceis, com sua visão criativa sendo questionada?

RODRIGO: Sim, foi um momento muito difícil pessoalmente, mas não sei, sou uma fã, amo música, e ninguém pode tirar isso. Parece tão brega, mas eu amo música e me sinto tão sortuda por poder fazer o que faço, e amo tantas músicas e cresci cercada de música incrível e bandas incríveis. Eu estaria escrevendo músicas mesmo se ninguém ouvisse e todo mundo odiasse, porque é o que eu amo fazer.

CARAMANICA: Recentemente você esteve em um show do Paul McCartney em Los Angeles. Há muita especulação pública sobre seu relacionamento com Taylor Swift. Nas fotos [daquele show], vocês estão saindo ao mesmo tempo, e aí tem gente na internet tipo: “Elas estão de frente uma para a outra? Estão de costas?” Como você vê esse nível de escrutínio?

RODRIGO: É, não sei, eu realmente não fico pensando muito nisso. Acho que, se eu mergulhasse em cada detetive da internet que acertou ou errou coisas sobre a minha vida ou qualquer um dos meus relacionamentos, acho que eu ficaria maluca. Simplesmente não tem tempo suficiente no dia.

CARAMANICA: Existe um clima frio entre você e Taylor? Como você vê isso agora que já se passaram alguns anos desde as rupturas iniciais?

RODRIGO: Não sei, acho que tento não deixar isso me afetar ou me chatear. Eu só tento seguir em frente. Foi há tanto tempo, não adianta ficar remoendo. Eu só tento fazer músicas que eu amo e tento ser gentil e boa com as outras pessoas e apoiar outras pessoas. E, no fim das contas, acho que é tudo o que você pode fazer.



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