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Rumo aos 100 anos: Vida ativa, vontade de aprender e dia a dia sem estresse são ingredientes de quem vive bem e bastante

Quando não está cuidando da casa, cozinhando para agradar algum dos seus nove bisnetos ou fazendo ginástica, Tercília gosta mesmo é de aprender. “Eu adoro ler”, diz. A curiosidade pela escrita começou há muito tempo e resistiu mesmo depois de décadas de trabalho duro como empregada doméstica. “Quando eu era criança, a minha mãe me batia porque eu sempre comia com o livro aberto”, conta.

Apesar da repreensão materna, ela nunca abandonou o gosto pela leitura. “Eu ainda tenho muito o que aprender”, diz ela, que dedica parte do seu tempo aos livros religiosos. “Ali tem muito ensinamento, aprendo muito sobre humildade, ter paciência”. Uma vez por semana, ela se desloca de Itapevi, onde mora, até Barueri, onde fica o Centro que frequenta. “Sou espírita desde os 15 anos, mas só agora estou me dedicando de verdade”, conta.

Na maior parte da vida, Tercília não teve tempo para algo que não fosse o serviço doméstico em casa de família e o cuidado das filhas. “Eu trabalhava o dia todo e só depois de terminar é que eu pensava em comer”, diz. “Em casa eu ainda cozinho, lavo roupa. Faço tudo, porque a ociosidade também mata”.

Pequena, magra e de aparência frágil, Tercília enfrenta sozinha e de transporte público o caminho entre Itapevi, na Grande São Paulo, e o consultório de longevos da Unifesp, localizado na zona sul da cidade.

“Toda a vida eu trabalhei muito, agora estou desfrutando”, conta ela, que vez ou outra faz passeios com um grupo da terceira idade para conhecer cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais.

Tanta disposição se deve, entre outros motivos, porque duas vezes por semana Tercília faz ginástica em um projeto para a terceira idade mantido pela prefeitura. “Lá em casa, eu e meu neto [bisneto] fazemos exercício. Mas ele faz jiu jitsu”, diz ela orgulhosa. “Desde que comecei, no ano passado, não sinto mais canseira, desânimo. E ainda tem as amizades, as brincadeiras. É uma delícia”.

A longevidade parece ser ainda segredo de família: sua avó faleceu aos 98 e as tias, aos 92 e 99 anos. “Essa de 99 morava sozinha, cozinhava, preparava uma mesa grande café toda vez que a gente ia visita-la”, lembra.

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