O primeiro show de k-pop da Virada Cultural, um dos eventos de maior destaque do calendário paulistano, aconteceu no último fim de semana e foi protagonizado pelos rapazes do 1VERSE – um grupo tão único quanto o seu mais recente feito em terras brasileiras sugere.
Formado pela gravadora Singing Beetle, o 1VERSE chamou a atenção quando estreou (em 2025) por ser o primeiro grupo de k-pop formado por desertores norte-coreanos. Dois dos cinco membros, Hyuk e Seok, nasceram na Coreia do Norte e fugiram do país durante a adolescência.
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Infelizmente, o público brasileiro não pode vê-los durante os shows no Bom Retiro – em hiato, Hyuk e Seok enviaram os colegas Aito (natural do Japão), Kenny e Nathan (ambos dos EUA) para o Brasil a fim de representar o grupo, que parece ter encantado e se deixado encantar pelo público.
A seguir, confira a conversa do Omelete com os três artistas, conduzida na sexta (22) antes das apresentações!
OMELETE: Bem-vindos ao Brasil, rapazes!
1VERSE: [Em conjunto] Obrigado!
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OMELETE: Bom, vocês são um grupo internacional, vindos de diferentes partes do mundo, e isso deve ser interessante em um nível pessoal para vocês. Qual é uma coisa que cada um de vocês aprendeu com um dos outros membros, que te surpreendeu? Pode ser sobre comida, costumes, música…
NATHAN: Eu diria que, quando entrei na empresa, com o Aito… acho que isso é uma coisa da cultura japonesa, mas não é muito comum falar diretamente sobre as coisas, especialmente porque eu sou um pouco mais velho do que ele. Então, por exemplo, quando estamos na aula de dança, ele tinha dificuldade em nos dizer quando errávamos, ou nos dar dicas sobre como fazer um certo movimento corretamente. Acho que essa foi uma diferença cultural que notei.
KENNY: Eu notei o quanto as pessoas da Coreia e do Japão amam lámen. [Risos] Tipo, o lámen instantâneo, sabe? A um ponto de eu ficar preocupado com a saúde deles. Mas é bem comum para as pessoas desses países, quando são mais jovens, simplesmente consumirem lámen diariamente, vários pacotes de uma vez.
AITO: Nos Estados Unidos, expressões de amor e afeto, como abraços, são muito comum. Como não temos essa cultura no Japão, foi muito surpreendente para mim. Então, conforme passo mais tempo com os membros mais velhos, acho que vou me acostumando a abraçá-los um pouco mais.
KENNY: Uma coisa que eu acho interessante, também, especialmente na cultura coreana — nossos membros coreanos [Hyuk e Seok] estão atualmente em uma pequena pausa — é que eles não são fisicamente carinhosos e adoráveis com você… até terem uma garrafa de soju na cabeça. [Risos] E então eles querem te abraçar, querem dizer o quanto te amam, a honestidade começa a fluir.
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OMELETE: Bom, vocês estão no Brasil para a Virada Cultural, um dos maiores eventos culturais aqui de São Paulo. Há algum outro show que vocês estão animados para assistir durante o festival? E quais são as coisas que vocês querem fazer no Brasil em geral?
NATHAN: Esta pode ser uma resposta bem chata, mas estou ansioso pelo evento inteiro — porque nunca experimentei nada parecido. Estou muito animado para sentir a energia das pessoas, e para assistir às apresentações incríveis de todos. Vai ser muito legal.
KENNY: Estou tratando isso de forma semelhante ao Coachella, onde estou lá para descobrir novos artistas… ou talvez descobrir músicas que já ouvi e gostei, mas nunca relacionei ao rosto por trás dela. Mal posso esperar por isso, e espero que as pessoas façam o mesmo com nosso show.
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OMELETE: Também é incrível que vocês estejam se apresentando em shows gratuitos. Qual é a importância disso para vocês, e vocês estão felizes que a apresentação de vocês será acessível para tantas pessoas?
AITO: Como estamos fazendo um show gratuito, haverá muitas pessoas que ainda não conhecem o 1VERSE. Então, esta será uma oportunidade para muitas pessoas conhecerem o grupo. Ser convidado para se apresentar em um evento assim é uma honra, sou muito grato por isso.
KENNY: É de graça? [Risos] Brincadeira. Para nós, como um grupo que ainda está tentando se estabelecer na indústria, qualquer oportunidade de estar na frente de um público é uma bênção. A competição atual para entrar na indústria do entretenimento é bastante saturada, então estamos muito felizes em ter a oportunidade de dar um show para um público tão amplo.
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OMELETE: Também vimos recentemente muitas colaborações entre artistas de k-pop e músicos brasileiros. Tomorrow X Together com Anitta, NMIXX com Pabllo Vittar… Existe algum artista brasileiro com quem vocês gostariam de colaborar, talvez algum que vocês conheçam?
NATHAN: O nome dela é Ludmilla? [pronunciando sem o “d”] Sim, Ludmilla. Pesquisei muito sobre artistas famosos brasileiros, e a música dela é muito pop e funk. Acho que seria bem legal colaborar com alguém como ela.
KENNY: Há uma artista em ascensão no Brasil – bem, na verdade ela já está bem estabelecida agora – que se chama Melody. Ela esteve em Seul no ano passado [onde conheceu e colaborou com o grupo 82MAJOR], e meu amigo queria nos apresentar, mas não tive a oportunidade porque estava com a agenda lotada. Então, espero que quando a oportunidade surgir novamente possamos fazer uma música com ela.
OMELETE: Bom, o Brasil se tornou um mercado enorme para o k-pop. Por que vocês acham que o público brasileiro se sente tão atraído pela música e pela arte do k-pop? Vocês acham que nossas linguagens culturais são semelhantes?
NATHAN: Bem, acho que a música é uma linguagem universal! Mas também ouvi dizer que o Brasil tem uma cultura de fandom muito forte, e isso isso flui facilmente com a cultura do k-pop. Acho que a paixão dos fãs pelos artistas e pela música é o que atrai os brasileiros para o k-pop.
KENNY: Uma explicação talvez mais acadêmica para isso seria que o k-pop, na verdade, não é um gênero, mas sim um método de como criamos e produzimos música. Tudo nesse método é muito global, então há muitas influências brasileiras na música também. Antes do NMIXX realmente se encontrar com a Pabllo Vittar, já havia muitas influências latinas na música delas. Então, esse aspecto global torna a música muito atraente para os fãs brasileiros, e para os fãs do mundo todo.
OMELETE: Bom, a música mais recente de vocês, “WABIF”, é por enquanto a única do 1VERSE em 2026. No que vocês estão trabalhando agora, e que tipo de energia os fãs podem esperar do próximo lançamento?
AITO: Bom, posso dizer que estamos preparando esse próximo lançamento há muito tempo.
KENNY: Não sei se podemos dar um spoilers agora… mas quer saber? A gente fala demais, então provavelmente já demos spoiler por aí desse próximo lançamento.
NATHAN: Isso. Eu ia dizer que já soltamos alguns spoilers, em algum lugar. Acho que cabe aos 5TARZ [nome dos fãs do 1VERSE] tentarem encontrar.
KENNY: Mas posso dizer que serão mais de três músicas dessa vez!
OMELETE: Perfeito! Obrigado, rapazes, e tenham um bom show.
1VERSE: [Em conjunto] Obrigado!
*O 1VERSE continua no Brasil para fanmeeting em São Paulo, que ocorre na quarta (27). Confira ingressos aqui.


