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The xx embala noite fria no C6 Fest entre a melancolia indie e a pista de dança


Podem parecer dois universos distintos, mas o indie rock melancólico de guitarra, baixo e bateria e a música eletrônica de pista convergem no The xx. A banda britânica embalou fãs saudosos com essa mistura na noite deste sábado (23), no C6 Fest, que acontece no parque Ibirapuera, em São Paulo.

O show no palco principal, a área externa do auditório Ibirapuera, encerrou a programação do terceiro dos quatro dias do festival —a quinta e sexta receberam apenas as atrações de jazz dentro do auditório. No sábado tocaram também Mano Brown, Amaraae, Wolf Alice, Matt Berninger e BaianaSystem. O domingo recebe Robert Plant, Beirut e Paralamas do Sucesso, entre outros.

Uma das grandes bandas indie a despontar neste século, The xx passou cerca de sete anos afastada, sem tocar ao vivo e lançar discos. O show no C6 Fest faz parte do reencontro dos integrantes —que recentemente se reuniram em apresentação no festival americano Coachella— e também deles com o Brasil, para onde não vinham há nove anos.

Romy, Oliver Sim e Jamie xx sentiram a energia no parque. A primeira foi chamada aos gritos de “gostosa” pela plateia, que encheu o amplo espaço entre as árvores do parque. O segundo distribuiu risadas e arriscou uma outra palavra em português. Em alguns momentos, foi possível ouvir gritos de “silêncio” dos fãs —para que parassem de conversar durante as performances.

No palco, eles mostraram que seguem afiados e entrosados. A dinâmica dos três em seus instrumentos é o segredo por trás do sucesso dos dois primeiros discos —”The XX”, de 2009, e “Coexist”, de 2012—, que abriram, com “Crystalised”, e fecharam, com “Intro”, o show.

No meio, eles fizeram do parque uma pista de dança, com músicas solo de Jamie xx, que é DJ e se revezou entre bateria e batidas eletrônicas, e parcerias entre as carreiras solo dos três integrantes. Nisso também couberam faixas de “I See You”, o terceiro disco da banda, de 2017, já mais eletrônico que os antecessores.

Em todos os momentos, a tristeza serena que guiou o show casou com a noite fria e molhada de São Paulo. A chuva praticamente parou durante a noite, depois de cair mais forte durante a tarde e de uma garoa que foi e voltou.

Mais cedo, logo depois de Mano Brown, que cantou no fim da tarde na parte externa do Auditório Ibirapuera, o Wolf Alice fez a apresentação mais lotada da tenda Metlife, o palco secundário do C6 Fest. O grupo arrastou uma plateia numerosa, com gente aglomerada até do lado de fora do espaço.

A banda britânica ganhou destaque em premiações com os dois primeiros álbuns, “My Love Is Cool”, de 2015, e “Visions Of A Life”, de 2017, e teve fôlego renovado no ano passado, com o disco “The Clearing”. O rock do quarteto estava na ponta da língua dos fãs, que bateram palmas e participaram do show ao ponto de emocionar os músicos.

No mesmo palco, poucas horas depois, o integrante da banda The National, Matt Berninger, encontrou uma plateia bem mais vazia na tenda. Ele mostrou o repertório de sua carreira solo, mas encantou mesmo com “Terrible Love”, do grupo do cantor, uma das favoritas dos fãs.

Nessa música, ele desceu até a pista e saiu andando e abrançando o público —um pequeno momento de caos ema uma apresentação em geral tranquila. Em sua pegada triste e reflexiva, Berninger ainda cantou outras duas músicas de sua banda principal — “I Need my Girl” e “Gospel”— além de um cover mais roqueiro de “Blue Monday”, do New Order.

Entre um e outro show da tenda, o BaianaSystem mostrou no palco principal, a área externa do Auditório Ibirapuera, como o palco pode ser plataforma para as mais diversas expressões. O grupo baiano recentemente se apresentou com Olodum, Planet Hemp e Carlinhos Brown, entre outros.

No palco do C6, a trupe liderada por Russo Passapusso fundiu seu molho sonoro, guiado pela guitarra baiana, com as vozes de Makaveli e Kadilida. Ambos são destaque na cena de Dar es Salaam, na Tanzânia, de singeli —um gênero de batidas aceleradas que já influenciou o próprio BaianaSystem.

Além deles, estavam no palco maestro da Orquestra Afro-Sinfônica, Ubiratan Marques, tocando piano, e Claudia Manzo, chilena que hoje já é parte da banda. Eles acrescentaram ao desfile de riffs e ritmos que conseguiu pelo menos fazer balançar a plateia do C6 —mais fria e blasé que a média dos festivais de São Paulo.



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