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Faltas frequentes acendem alerta para a evasão escolar em Jundiaí

A evasão escolar não começa no dia em que o aluno deixa de aparecer na sala de aula. Antes do abandono, geralmente vêm as faltas repetidas, os atrasos, a queda no rendimento e, pouco a pouco, o afastamento da rotina escolar. Em Jundiaí, dados do IPS Brasil referentes a 2025 apontam 4,48% de evasão no Ensino Médio, enquanto a taxa de abandono é de 1,42%. No Ensino Fundamental, o abandono aparece em 0,17%.

Enquanto o abandono está relacionado à interrupção da frequência durante o período letivo, a evasão representa um afastamento mais prolongado, quando o estudante não retorna à escola. Na cidade, a Prefeitura mantém um Projeto de Combate ao Absenteísmo Escolar, voltado à identificação e ao acompanhamento de estudantes com excesso de faltas. A iniciativa foi reconhecida pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo como uma boa prática e reúne escola, família e rede de proteção para tentar evitar o abandono.

Na sala de aula, porém, o efeito das faltas aparece antes de qualquer estatística. Para o professor Samuel Nogueira, de uma escola de Ensino Fundamental de Jundiaí, uma ausência isolada normalmente pode ser recuperada. O problema começa quando as faltas se acumulam. “O acúmulo de faltas já demonstra uma grande defasagem, porque o aluno perde conceitos importantes para compreender os conteúdos seguintes. Quando volta, muitas vezes já não entende o que está sendo ensinado, porque perdeu etapas importantes do aprendizado.”

Além do conteúdo, o estudante também perde parte da própria rotina escolar, ficando de fora de avaliações, trabalhos e atividades que ajudam na construção dos vínculos com a turma. Os motivos são variados, incluindo problemas familiares, saúde e falta de interesse. Entre adolescentes, porém, o trabalho aparece como um fator importante. Segundo o professor, muitos estudantes conciliam a escola com jornadas 6×1, chegando ao dia seguinte cansados ou priorizando o trabalho por causa da renda. “O retorno do trabalho é mais imediato, que é o salário, do que o aprendizado na escola. A prioridade acaba mudando.”

A psicopedagoga Caroline de Fátima Oliveira Correia diz que a infrequência é resultado de diferentes fatores, como questões socioeconômicas, dificuldades de aprendizagem, violência, bullying, problemas de transporte e a falta de identificação com o ambiente escolar. “A infrequência pode acarretar diversos impactos negativos para o desenvolvimento acadêmico, emocional e social, como redução do desempenho escolar, dificuldade em acompanhar o ritmo da turma e perda de conteúdos fundamentais. No aspecto emocional, pode gerar baixa autoestima, desmotivação, insegurança e até isolamento.”

Sinais de alerta

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