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Jundiaienses celebram 370 anos de amor à padroeira

Antes dos prédios, das avenidas e do movimento que hoje fazem parte de Jundiaí, havia um pequeno povoado. E, naquele cenário, uma capela dedicada a Nossa Senhora do Desterro já fazia parte da vida da comunidade. Mais de 370 anos depois, a Padroeira continua presente na cidade e volta às ruas neste sábado (15), feriado municipal, durante a Festa da Padroeira que reúne missas e procissão. 

“Falar de Nossa Senhora do Desterro é falar das próprias origens de Jundiaí”, afirma o historiador Maurício Ferreira. Por volta de 1651, uma primeira capela dedicada à Padroeira foi construída no local onde hoje está a Catedral Nossa Senhora do Desterro. A construção era de taipa de pilão e, muito diferente da igreja atual, que passou por grandes transformações ao longo dos séculos. O endereço, no entanto, permaneceu como uma das referências do nascimento e do desenvolvimento da cidade.

A devoção também carrega um significado que ultrapassa a religião. Nossa Senhora do Desterro remete à fuga da Sagrada Família para o Egito e, por isso, é associada a pessoas que precisaram deixar sua terra, como migrantes e refugiados. Para o historiador, a simbologia conversa com a própria formação de Jundiaí, que recebeu pessoas de diferentes lugares ao longo de sua história. “Para quem é católico, naturalmente existe a fé e a devoção à Padroeira. Mas Nossa Senhora do Desterro também pertence à memória histórica de todos os jundiaienses”, destaca Maurício.

Uma tradição une 

A novena, as missas e a procissão permanecem entre os principais momentos da celebração. Para o pároco da Catedral, padre Adriano Luís Zucculin, a força da festa está na participação popular. “A festa é sempre grandiosa e comove profundamente. Ao longo dos meus anos na Catedral, vi a igreja transbordar com milhares de rostos, famílias inteiras, jovens e idosos”, conta. 

Entre os costumes preservados estão a procissão com velas e cânticos, o repique dos sinos e a convivência na Praça da Matriz. “São tradições que mantêm viva a chama da devoção e unem a comunidade”, afirma.

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