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Diretor de ‘O Fim da Rua’ leva dinossauros ao subúrbio: ‘O público quer algo único’


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Depois de enfrentar Miranda Priestly novamente e esperar pelo retorno de Odisseu ao longo de décadas, Anne Hathaway ainda tem energia para combater dinossauros em seu próprio jardim. Nesta quinta-feira, 13, chega aos cinemas o novo arrasa-quarteirão estrelado pela atriz: O Fim da Rua (The End of Oak Street, 2026, Estados Unidos), no qual um bairro suburbano é repentinamente transportado para a era jurássica e tomado por tiranossauros, pterodátilos e outras feras ancestrais que encurralam a dona de casa Denise (Hathaway), seu marido Greg (Ewan McGregor) e seus filhos, Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery).

A premissa peculiar dá vazão a um dos poucos grandes lançamentos do ano feitos a partir de uma ideia original, em vez de alguma franquia em curso ou de um livro consagrado há séculos. Por trás dela, está o cineasta americano David Robert Mitchell, 51, expoente do cinema independente que se tornou famoso quando o terror Corrente do Mal apavorou jovens ao redor do mundo com uma assombração sexualmente transmissível. Depois do sucesso, ele encabeçou o controverso O Mistério de Silver Lake (2018) e se firmou como voz autoral do cinema de gênero, determinado a extrair tensão e mistério de subúrbios pacatos.

A vocação chamou a atenção do estúdio Warner Bros. Pictures, que decidiu apostar em seu talento e apoiar a produção de O Fim da Rua, que construiu suas criaturas colossais e sequências palpitantes a partir de um orçamento de 80 milhões de dólares — enxuto se comparado a um concorrente como Homem-Aranha: Um Novo Dia, feito com mais de 200 milhões. O resultado é uma aventura à moda antiga, desavergonhadamente inspirada em clássicos de Steven Spielberg e preceitos básicos da narrativa cinematográfica, como o bom desenvolvimento de personagens e o aproveitamento minucioso de cenários práticos. Em entrevista a VEJA, Mitchell detalha o processo:

É ousado dirigir um filme sobre dinossauros em 2026, considerando que Jurassic Park tem monopólio sobre a temática em Hollywood há décadas. O que o levou a esse projeto? É pessoal para mim. Meu pai era obcecado com dinossauros. Ele queria ser arqueólogo, mas nunca seguiu esse caminho. Nossa casa era cheia de livros sobre o assunto e víamos filmes do gênero com certa frequência, como as produções de Ray Harryhausen ou filmes em stop-motion como O Vale Proibido (1969). Existe toda uma linha de filmes de dinossauro que precede Jurassic Park, feito O Mundo Perdido (1925) ou mesmo o primeiro King Kong (1933), e eu amo todos esses longas-metragens. Vi eles na infância e sempre quis emulá-los.

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Quando percebeu que rodar um filme do tipo era uma possibilidade real? Meu pai e meu tio construíram um estúdio amador de animação stop-motion no porão de casa. Meu tio era artista, então ele conseguia fazer figurinhas no estilo de Harryhausen. Eles faziam curtas-metragens sobre pessoas interagindo com dinossauros, e eu ficava maravilhado. Quero deixar claro que também amo Jurassic Park, mas todas essas referências se amontoaram até a ideia certa para O Fim da Rua surgir há alguns anos.

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Essa experiência com stop-motion influenciou o design dos dinossauros, ou o equilíbrio entre efeitos práticos e computação gráfica? Parte disso começou com o roteiro, mas então trabalhamos com artistas excelentes que sugeriram outras ideias. Combinamos esse input ao trabalho com a empresa de efeitos Industrial Light & Magic (ILM) — que participou de Jurassic Park. O processo todo foi muito divertido e animador. Em tudo que faço, tento encontrar algo que pode ter virado clichê e busco revigorar esse elemento, fazer algo de especial com ele. Nesse sentido, os truques são os mesmos de qualquer outro gênero: almejo criar um mundo que pareça real, com personagens que despertam carinho e tenham os pés no chão. Eles não podem ser só a representação de algo, mas pessoas críveis de fato, que interajam com essas feras de algum jeito interessante, assustador ou tenso.

O Fim da Rua é seu primeiro filme protagonizado por uma família nuclear, apesar de o subúrbio ser um interesse seu de longa data. Como conseguiu integrar esses temas à história? É, provavelmente, sinal da minha idade. Já escrevi outras tramas sobre personagens de diferentes faixas etárias ou famílias, mas essa é realmente baseada em como cresci nos anos 1980. Me inspirei em minha própria família, mas também na visão de mundo que desenvolvi na vida adulta. Durante a escrita do roteiro, conseguia me identificar tanto com os pais quanto com os filhos. Era muito importante para mim falar sobre como todas as famílias têm problemas e toda pessoa tem suas questões individuais. A aventura mostra como esses parentes estão — ou não estão — se comunicando, e queria ver como uma ameaça tão colossal afetaria essa dinâmica.

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Para além de Harryhausen, quais foram as principais referências em sua mente? Pensei muito em episódios de Além da Imaginação (1959-1964), e também no filme Poltergeist: O Fenômeno (1982). Sinais (2002), de M. Night Shyamalan, é uma referência mais recente. Também recorri muito à safra de Spielberg no fim dos anos 1970 e, em geral, aos filmes da Amblin Entertainment, que ele fundou em 1981. Acho que as obras dessa época conseguiam fazer com que os espectadores se conectassem ao espetáculo por meio da construção de personagem e do cuidado nos bastidores. A sensibilidade visual deles também é bem fundamentada. O trabalho de câmera sempre parece real, assim como os cenários. Esses são todos motivos para situar a história nessa época.

Dois homens trabalhando em uma filmagem externa. Um, de chapéu de palha e roupa jeans, segura uma garrafa de água. O outro, de camiseta cinza, ajusta uma câmera profissional em um tripé. Ao fundo, árvores e casas em um dia claro
David Robert Mitchell (à esq.) no bastidores de ‘O Fim da Rua’ (Daniel McFadden/Warner Bros. Pictures/Divulgação)
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O Fim da Rua é seu primeiro blockbuster e engrossa a lista de produções da Warner Bros. que apostam em cineastas autorais em ascensão, feito Maggie Gyllenhaal ou Zach Cregger. Como tem sido essa transição de escala? É ótimo, porque quero fazer diferentes tipos de filmes. Adoro a ideia de trabalhar em uma produção grande, mas também amo o cinema independente. Essa versatilidade sempre foi um objetivo meu, desde que meu filme de grande alcance pudesse ser algo que eu genuinamente amasse e me orgulhasse. Foi o que aconteceu. E é muito divertido trabalhar em bastidores assim. Pude colaborar com a ILM e andar pelo cenário do bairro pensando: ‘E se um dinossauro passasse por aqui’? É como brincar com bonecos, um privilégio fantástico.

Hollywood, hoje, aposta principalmente em propriedade intelectual já estabelecida — e, por isso, um quinto Jurassic World está em produção. Como espera atrair o público com essa trama original? Temos um elenco incrível interpretando personagens de fácil identificação que embarcam em uma grande aventura. O filme tem drama, suspense, terror e humor. Há um bom panorama dramatúrgico, e a história avança de formas inesperadas que acho que serão do agrado dos espectadores. Acredito que o público deseja algo único. Ele quer encontrar um espetáculo na sala de cinema, mas também alguma conexão emocional. Há, certamente, espaço para franquias e sequências na indústria, mas é maravilhoso poder criar algo original e dar ao planeta uma obra que ainda não foi vista.

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