InícionoticiasPor que ainda é tão difícil conseguir controlar o colesterol?

Por que ainda é tão difícil conseguir controlar o colesterol?

Portanto, embora a pressão suba tão silenciosamente quanto os níveis de gordura no sangue, ao menos existe uma chance de a pessoa ter noção de a quantas ela anda. “Com o colesterol, porém, nunca é tão fácil. O sujeito precisa da prescrição para fazer a dosagem no sangue e, geralmente, tem de se deslocar para realizar esse exame”, compara o médico, considerado um dos nossos maiores especialistas em lípides, as partículas gordurosas encontradas na circulação sanguínea.

O próprio professor Raul Santos, há uma década, participou de um estudo mostrando que cerca de quatro em cada dez brasileiros com colesterol LDL alto não faziam a menor ideia de que estavam nesse apuro. Mas a questão agora é outra: afinal, o que seria um colesterol LDL alto?

Hoje, essa resposta complica tudo de vez. Ora, desde 2017 as diretrizes são claras: quem já sofreu um infarto ou alguma outra doença aterosclerótica, quer dizer, provocada pelas famigeradas placas nas artérias, precisa manter o LDL sob rédeas curtíssimas: abaixo de 50 mg/dl (miligramas por decilitro de sangue). Mais recentemente, no ano passado, ficou claro que alguns indivíduos precisam sustentar níveis até menores que 40 mg/dl.

Sinto muito: um colesterol baixinho assim não se consegue apenas engolindo estatinas, drogas da classe mais usada para reduzir seus níveis. “Aliás, não se consegue um LDL tão baixo com nenhum remédio usado isoladamente. É preciso combinar medicamentos”, informa o cardiologista. A realidade é que nem sempre a pessoa sai do consultório com a receita de uma terapia combinada.

Mas, já que estamos levantando perguntas, a questão proposta por um novíssimo estudo é bastante interessante: se fossem usadas ferramentas digitais para ajudar o médico a identificar pessoas fora da tal meta de LDL abaixo de 50 mg/dl para, daí, intensificar o tratamento e acompanhá-las mais de perto, será que esse cenário melhoraria?

No fundo, o estudo SAPPHIRE-LDL, liderado por pesquisadores do Einstein e publicado há três semanas no JAMA Cardiology, discute caminhos para que aquilo que a medicina já conhece em matéria de prevenção de novos eventos cardiovasculares chegue aos pacientes que já levaram um primeiro (e grande) susto.

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