O que é preciso lembrar sobre sediar um evento no Madison Square Garden —como, digamos, um casamento entre uma estrela pop e um jogador de futebol americano— é que o aluguel é apenas uma fração da equação.
O custo base do aluguel, segundo profissionais do setor com experiência em sediar eventos no local, varia de US$ 600 mil a US$ 800 mil —entre R$ 3,1 milhões e R$ 4,1 milhões. Artistas ou outras partes anfitriãs negociariam, é claro, esse valor diretamente com o local, especialmente alguém como Taylor Swift, que tem uma relação de longa data com o Garden e que pode atrair enorme publicidade para ele.
Representantes do Garden e de Swift não responderam aos pedidos de comentário.
Um profissional do setor com experiência de trabalho com o local, que falou sob condição de anonimato, estimou que custaria a Swift algo entre US$ 1,2 milhão e US$ 1,6 milhão —ou R$ 6,2 milhões e R$ 8,3 milhões— para reservar o Garden por dois dias. Mas isso é apenas para entrar pela porta, acrescentou a pessoa, e provavelmente não inclui o custo de essencialmente fechar o local esta semana para a montagem.
“É absolutamente mais do que um casamento”, disse Jessica Stewart, vice-presidente de marketing e vendas da EMRG Media, uma empresa de eventos de Nova York que trabalhou com empresas da Fortune 500.
Um evento recente no Garden, o comício do presidente Donald Trump em 2024, custou quase US$ 650 mil, ou R$ 3,3 milhões, em aluguel, mostram os registros de gastos de campanha.
Outro custo associado ao aluguel de um local como o Garden é o seguro para cobrir acidentes ou danos à propriedade, bem como quaisquer outros desastres imprevistos. Dependendo da escala e do tamanho de um evento, o Garden pode exigir cobertura mínima de apólice, custando mais de US$ 10 mil, disse Erica Maurer, sócia da EMRG Media.
“Há muitos níveis nisso”, disse Maurer, e os custos podem variar dependendo da decoração, número de apresentações e outros fatores, ela disse. Cada fornecedor pode ter uma apólice suplementar também, ela disse.
Mas uma artista em turnê como Swift pode já ter uma apólice de seguro preexistente que ela poderia estender para cobrir o local durante o feriado prolongado, observou o profissional do setor.
Há também custos diversos —iluminação, som, buffet, flores, decoração, mão de obra— que poderiam elevar a conta total do casamento para uma estimativa muito conservadora de US$ 10 milhões a US$ 12 milhões, disse Stewart. Apenas o componente de áudio e visual, se houver um show, poderia chegar a US$ 1 milhão, ela disse.
“É literalmente o que chamamos de ‘tomada do local'”, disse Stewart.
A segurança seria outro grande custo. Espera-se que o evento atraia celebridades de primeira linha, que precisarão entrar e sair do espaço do evento no centro de Manhattan durante um feriado prolongado, quando grandes multidões de fãs e curiosos devem se reunir.
Depois, há as taxas da cidade de Nova York para a licença de realizar o evento de dois dias, que é classificado pela cidade como um “evento extragrande”.
Essas taxas provavelmente custariam ao casal pelo menos US$ 132 mil com base nas tarifas cobradas pelo escritório de licenciamento da cidade. Isso não inclui os custos das taxas para estender a licença até sábado, quando uma tenda e outros materiais serão desmontados e retirados do prédio, um processo que pode durar até as 19h, de acordo com uma pessoa com conhecimento da licença aprovada pela cidade.
E, embora o casal provavelmente pague por sua própria segurança privada, os custos totais de segurança pública para o evento provavelmente serão muito mais altos, mostram registros e entrevistas.
Espera-se que centenas de policiais patrulhem do lado de fora do Garden, muitos deles em turnos de hora extra.
A comissária de polícia Jessica Tisch já havia ordenado que os policiais trabalhassem em turnos de 12 horas para ficar de olho na Copa do Mundo, no 4 de julho, no Sail 250 e em outros eventos planejados há muito tempo.
Um representante do Departamento de Polícia se recusou a comentar sobre os custos potenciais para a cidade.
Mas cálculos aproximados feitos por ex-funcionários da cidade colocam o custo para os contribuintes em bem mais de US$ 1 milhão, ou mais de R$ 5 milhões.
Kenneth Corey, ex-chefe do departamento, disse que, para tal evento, ele destacaria no mínimo cerca de 400 policiais para proteger as multidões do lado de fora do Garden.
“O prédio em si é muito fácil de proteger”, disse Corey. Mas centenas de policiais serão necessários nas ruas para monitorar ameaças e controlar os fãs, que podem ser tentados a avançar sobre as barreiras quando as celebridades entrarem e saírem do Garden. Vários quarteirões ao redor do local serão fechados na sexta-feira para tráfego e pedestres, incluindo partes da Sétima Avenida, mostram os registros.
O custo total apenas pela presença policial adicional nessas áreas provavelmente chegaria a pelo menos US$ 360 mil por dia, de acordo com Corey.
Isso não inclui os custos com pessoal médico da unidade de Serviços Médicos de Emergência da cidade, que também precisará estar presente para cuidar de qualquer pessoa que fique superaquecida ou desidratada.
Isso provavelmente adicionaria outros US$ 500 mil, disse Laura Kavanagh, ex-comissária do Corpo de Bombeiros, que supervisiona os serviços médicos de emergência.
A coisa toda provavelmente exigiria os mesmos recursos que a cidade gasta em um desfile, disse Kavanagh —embora não um do tipo do Desfile de Ação de Graças da Macy’s.
Talvez um desfile de “tamanho médio”, ela disse.


